A expansão da capacidade produtiva de semicondutores na Ásia está seguindo um curso de alta concentração geográfica. De acordo com dados da SEMI, organização que representa o setor de eletrônicos e circuitos integrados, a maior parte das novas fábricas de chips mais avançados previstas para entrar em operação até a virada da década está sendo construída na China e em Taiwan. A leitura editorial aqui é que o setor prioriza a eficiência de ecossistemas já consolidados em detrimento da diversificação geográfica necessária para mitigar riscos sistêmicos. Com reportagem do Xataka.

Motivações estratégicas divergentes

Para a China, a construção de novas plantas — com destaque para SMIC e Hua Hong Semiconductor — é uma questão de sobrevivência tecnológica e autonomia. Sem acesso facilitado às máquinas de litografia ultravioleta extrema (EUV) da ASML, o país vem empurrando o limite de processos com litografia profunda (DUV) e otimizando nós na casa dos 7 nm, consolidando uma cadeia interna que reduz dependências críticas.

Em Taiwan, a dinâmica é predominantemente de mercado. TSMC e UMC expandem para atender à demanda explosiva por chips de alto desempenho, impulsionada por data centers e aplicações de inteligência artificial. A rampa de 3 nm e o desenvolvimento dos próximos nós ocorrem sob pressão de capacidade, já que poucos fornecedores conseguem combinar escala, rendimento e previsibilidade na mesma medida.

O alerta da SEMI sobre vulnerabilidades

Ajit Manocha, CEO da SEMI, tem sido enfático sobre os riscos da centralização da capacidade em poucos pontos do mapa. Um choque geopolítico que interrompa fábricas em Taiwan ou na China teria impacto imediato em setores que vão de eletrônicos de consumo a infraestrutura crítica e defesa, potencialmente gerando uma nova onda de escassez e inflação tecnológica.

Além de tensões políticas, há a vulnerabilidade de insumos. Gases e materiais críticos — como hélio e compostos halogenados usados em gravação e limpeza — dependem de cadeias de suprimento sensíveis a interrupções logísticas. Disrupções recentes em mercados de energia e gases industriais mostraram como choques localizados podem rapidamente elevar custos e paralisar linhas de produção.

Implicações para o ecossistema global

Países do Sudeste Asiático, como Malásia, Cingapura, Vietnã e Tailândia, surgem como candidatos naturais para absorver parte da expansão, apoiando-se em capacidades existentes — por exemplo, hubs de encapsulamento e teste, como os da Intel na Malásia. Ainda assim, deslocar produção de ponta exige investimentos maciços, qualificação de força de trabalho e tempo, um recurso escasso frente à velocidade com que a IA e o HPC estão avançando.

Para empresas ocidentais, o dilema é claro: a busca por nós de processo cada vez mais avançados e por eficiência convive com a necessidade de resiliência. Sem uma estratégia ativa de diversificação — que envolva incentivos, formação de clusters e acordos de longo prazo na cadeia de insumos — a concentração asiática seguirá ditando o ritmo e o risco do progresso tecnológico.

O futuro da produção de semicondutores

Resta saber se novos polos conseguirão atrair, a tempo, investimentos de alto valor agregado suficientes para reequilibrar o mapa. Não se trata apenas de onde as fábricas serão erguidas, mas se haverá um esforço coordenado para criar um ecossistema resiliente — do equipamento ao material, do design ao backend — capaz de sustentar a demanda global.

Políticas de subsídios, evolução regulatória e a leitura dos planos das grandes fundições serão indicadores-chave para acompanhar se o mundo caminha rumo à diversificação ou se a concentração em China e Taiwan continuará a amplificar os riscos da cadeia.

Com reportagem do Xataka (https://www.xataka.com/empresas-y-economia/china-taiwan-se-estan-construyendo-fabricas-chips-avanzados-que-ningun-otro-sitio-solo-bueno-para-ellos).

Source · Xataka