A China se consolidou como líder global em competências científicas, de acordo com os resultados do PISA 2025, divulgados em setembro de 2026. O país asiático alcançou uma pontuação média de 597, superando Singapura, que obteve 560. A pesquisa, que avaliou mais de 760 mil estudantes de 15 anos em 91 países e economias, destaca o domínio dos sistemas educacionais asiáticos no topo do ranking, com seis das sete maiores pontuações.

O estudo, realizado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), avalia não apenas a memorização de fatos, mas também a capacidade dos alunos de explicar fenômenos científicos, avaliar investigações e evidências, e tomar decisões baseadas em informações científicas. Os Estados Unidos figuram na 13ª posição, com uma média de 502 pontos, 20 acima da média da OCDE, que atingiu seu menor patamar histórico, 482 pontos.

Domínio Asiático e Diferenças Regionais

Por trás de China e Singapura, Macao, Taiwan e Japão completam o top 5, com a Coreia do Sul em sétimo lugar. A Estônia surge como a única nação europeia entre as sete primeiras, com 527 pontos. O Reino Unido aparece em oitavo (511), seguido por Canadá (510), Nova Zelândia e Austrália (ambos com 509). A Finlândia, tradicionalmente forte em educação, ficou em 12º lugar com 504 pontos.

O desempenho superior dos sistemas asiáticos é atribuído a uma combinação de altas expectativas acadêmicas e ambientes de aprendizado que minimizam distrações. Em países como China, Japão e Coreia do Sul, menos de 10% dos estudantes relataram colegas distraídos por dispositivos digitais durante as aulas de ciência, em contraste com 28% na média da OCDE. Escolas com regras claras sobre o uso de smartphones também apresentaram menor distração digital. Além disso, esses sistemas educacionais produzem uma proporção maior de alunos com habilidades avançadas, com 26% atingindo os níveis mais altos de proficiência em Singapura, contra 7% na OCDE.

Desafios Europeus e a Média Global em Queda

Enquanto a Ásia lidera, a Europa apresenta um cenário misto. A Estônia se destaca como a pontuação mais alta do continente, mas outras grandes economias europeias, como Alemanha (486), França e Itália (ambas com 483), e Espanha (477), situam-se próximas à média da OCDE. A pesquisa também aponta que diferenças de pontuação entre países vizinhos no ranking podem não ser estatisticamente significativas, indicando que a proximidade geográfica não se traduz necessariamente em disparidades de desempenho mensuráveis.

Um dado preocupante é a queda na média geral de desempenho em ciência da OCDE, que atingiu seu nível mais baixo. Aproximadamente três quartos dos estudantes em países da OCDE alcançaram o nível básico de proficiência em ciência, mas a tendência geral aponta para um declínio contínuo no desempenho dos alunos. Essa queda global levanta questões sobre a eficácia das metodologias de ensino e a preparação dos jovens para os desafios científicos e tecnológicos do futuro.

Implicações para a Inovação e o Futuro

O ranking PISA 2025 ressalta a importância estratégica da educação científica para o desenvolvimento da inovação e a competitividade global. O domínio de países como a China sugere um alinhamento entre seus sistemas educacionais e as demandas de uma economia baseada em conhecimento e tecnologia. Para os Estados Unidos e outras nações ocidentais, os resultados indicam a necessidade de reavaliar abordagens pedagógicas e políticas educacionais para garantir que seus estudantes estejam preparados para competir no cenário internacional.

A concentração de talentos em poucas nações pode criar desafios geopolíticos e de acesso ao conhecimento. A análise das práticas de ensino nos países de ponta pode oferecer insights valiosos para aprimorar currículos e métodos de ensino em outras regiões, buscando não apenas melhorar as pontuações, mas, fundamentalmente, formar cidadãos capazes de compreender e interagir criticamente com o mundo científico e tecnológico.

Perguntas em Aberto e Perspectivas

Apesar dos resultados claros, o PISA 2025 deixa questões em aberto sobre a sustentabilidade do modelo asiático e sua aplicabilidade universal. Fatores como a pressão por resultados e o papel do ensino complementar intensivo, comuns em partes da Ásia, não são isolados como causas únicas do sucesso, tornando difícil atribuir o desempenho a uma única prática. A OCDE não detalha se os resultados superiores são impulsionados por alunos de origem socioeconômica mais favorecida, embora sugira que em alguns sistemas asiáticos há uma menor correlação entre desempenho e background socioeconômico.

O declínio geral na média global é um alerta para todos os países. Será que as abordagens atuais de ensino de ciência são suficientes para equipar os jovens com as habilidades necessárias para enfrentar problemas complexos como as mudanças climáticas e as pandemias? Observar como os países de ponta lidam com a pressão e a equidade, e como a OCDE e outras organizações buscarão reverter a tendência de queda no desempenho, será crucial nos próximos anos.

O estudo PISA 2025 serve como um termômetro da capacidade científica global, com a China emergindo como líder incontestável. A análise de suas metodologias e a comparação com os desafios enfrentados por outras potências educacionais oferecem um panorama complexo sobre o futuro da inovação e da formação de capital humano no cenário mundial. Com reportagem de Brazil Valley

Source · Visual Capitalist