Uma fotografia de baixa resolução circulava há anos, alimentando especulações sobre o desenvolvimento de um veículo militar secreto pela China, com forte semelhança ao X-37B dos Estados Unidos. A imagem, que chegou a ser exibida em apresentações da Força Espacial americana, gerou debates sobre sua origem, com a Maxar, empresa proprietária do satélite que a capturou, e a própria Força Espacial recusando-se a comentar. Agora, um relatório desclassificado da Agência de Inteligência de Defesa (DIA) dos EUA resolveu o mistério: o veículo em órbita é, de fato, um avião espacial chinês reutilizável. A confirmação oficial, publicada em um documento sobre desafios de segurança no espaço, identifica o aparato e detalha suas capacidades, como a colocação de objetos em órbita, realização de experimentos e retorno à Terra.
O Olhar Americano Sobre o Céu Chinês
A DIA confirmou que a imagem, agora em maior resolução, é de um "avião espacial da República Popular da China". O veículo possui características notavelmente similares ao X-37B americano, incluindo uma pequena nave com asas, dois estabilizadores verticais e uma bodega central de carga com portas que se abrem para cima. Estruturas solares na parte traseira também são visíveis. Embora a geometria das asas apresente diferenças, o parecido geral é inegável, marcando um novo capítulo na rivalidade tecnológica entre as duas potências. A publicação deste relatório, que inclui a imagem e sua identificação, joga luz sobre as capacidades aeroespaciais militares da China, um campo de crescente importância estratégica global.
Detalhes Reveladores em Órbita
A fotografia, capturada em 28 de maio de 2024 pelo satélite WorldView-3 da Vantor (antiga Maxar), foi tirada a uma distância impressionante de apenas 90 quilômetros do veículo chinês. Um detalhe particularmente intrigante é a presença de um segundo satélite acoplado à seção posterior do avião espacial, com sua estrutura e painéis solares visíveis. Mais significativo ainda são as portas da bodega de carga, que aparecem claramente abertas no momento da captura. Essa cena não apenas demonstra a capacidade de vigilância mútua entre sistemas orbitais, mas também levanta questões sobre a natureza do objeto acoplado e as operações secretas que a nave chinesa estaria realizando. A abertura das portas sugere uma atividade em pleno andamento, possivelmente relacionada ao lançamento ou recuperação de carga.
A Corrida Reutilizável no Espaço
Desde 2020, a China tem realizado missões orbitais com o que se acredita ser este veículo experimental reutilizável. Três missões anteriores foram concluídas com sucesso; a terceira, por exemplo, durou quase nove meses em órbita e liberou vários objetos de função desconhecida. Uma quarta missão foi lançada em fevereiro de 2026 e segue em operação, tendo liberado pelo menos mais um objeto. Os voos anteriores parecem ter retornado a uma instalação militar no noroeste da China, equipada com uma pista de aproximadamente cinco quilômetros, que tem passado por expansões significativas e é utilizada para testar outras tecnologias aeronáuticas avançadas. Os Estados Unidos, por sua vez, operam seus dois X-37B desde 2010, com oito missões orbitais realizadas, a última iniciada em agosto de 2025.
Implicações Geopolíticas e o Futuro da Vigilância Espacial
A confirmação da existência e operação de um avião espacial chinês reutilizável, com capacidades comparáveis ao X-37B americano, tem profundas implicações geopolíticas. A corrida espacial militar ganha uma nova dimensão, com ambas as potências buscando superioridade em tecnologias de reconhecimento, posicionamento e potencial capacidade de projeção de força em órbita. A capacidade de realizar missões prolongadas, liberar e recuperar objetos, e a própria natureza secreta dessas operações, intensificam a necessidade de maior transparência e, ao mesmo tempo, aumentam a complexidade da vigilância e da segurança espacial. A comunidade internacional observará atentamente os próximos passos, pois a tecnologia de veículos orbitais reutilizáveis pode redefinir o equilíbrio de poder no espaço.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Xataka





