A gestora britânica de private equity Cinven concluiu no final de agosto a captação de seu segundo fundo estratégico, levantando €2,3 bilhões em capital comprometido. O montante representa um ágio de quase 50% sobre a meta original, um feito notável no atual cenário de juros altos e maior aversão ao risco por parte dos investidores institucionais.

Segundo reportagem da Forbes España, o sucesso da captação reflete a forte demanda de investidores, muitos dos quais já aplicavam em outros veículos da casa. A leitura aqui não é a de uma recuperação generalizada do apetite por risco, mas sim um movimento de “fuga para a qualidade”, onde o capital disponível se concentra em gestoras com histórico comprovado de retornos e disciplina na alocação.

Um voto de confiança

O novo fundo, batizado de ‘Fundo Estratégico 2’, é aproximadamente 75% maior que seu antecessor e expande o escopo de atuação da Cinven. Se antes o foco estava concentrado em serviços financeiros, a estratégia agora abrange também os setores de serviços empresariais, tecnologia, mídia e telecomunicações (TMT). Geograficamente, a tese de investimento mira oportunidades na Península Ibérica, na região de Alemanha, Áustria e Suíça (DACH), e no Reino Unido e Irlanda.

A gestora não esperou o fechamento final para colocar o capital para trabalhar. O fundo já realizou quatro investimentos em empresas como Objectway, Flint Global, Ongoing Warehouse e Optio. A agilidade em alocar recursos sinaliza uma pipeline robusta e a confiança da equipe de gestão, liderada por Luigi Sbrozzi e Michael Weber, na tese de investimento.

Liquidez em um mercado ilíquido

A capacidade da Cinven de atrair capital está diretamente ligada à sua habilidade de devolvê-lo. A firma materializou mais de €14 bilhões em 40 eventos de saída desde janeiro de 2024. Desse total, cerca de 30% foi realizado nos doze meses encerrados em junho deste ano, um período marcado pela janela de IPOs fechada e um mercado de M&A mais lento. Gerar liquidez em um ambiente ilíquido é o que separa as principais gestoras das demais.

O movimento da Cinven serve de termômetro para o mercado de capitais privados, incluindo o ecossistema brasileiro de venture capital e private equity. Enquanto gestoras emergentes ou com performance mediana enfrentam um dos ambientes de captação mais difíceis da última década, os players consolidados com track record de saídas bem-sucedidas encontram um cenário de menor competição por ativos e maior poder de barganha. O capital não desapareceu; ele apenas ficou mais seletivo.

O sucesso da Cinven, portanto, não indica uma maré alta que levanta todos os barcos. Pelo contrário, sugere uma bifurcação no mercado, onde os grandes se tornam maiores, consolidando sua posição para o próximo ciclo de investimentos. A questão que fica no ar é como essa concentração de capital impactará a dinâmica de inovação e a competição no longo prazo.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España