O banco de investimento Citi divulgou uma análise sobre o impacto de um eventual governo de Flávio Bolsonaro no setor de papel e celulose, indicando que Klabin (KLBN11) e Irani (RANI3) poderiam sair na frente em relação à Suzano (SUZB3). A principal tese do Citi reside na maior exposição das duas primeiras empresas ao mercado doméstico brasileiro e, consequentemente, em sua menor sensibilidade às flutuações do câmbio. Em um cenário de ajuste fiscal, que poderia levar a juros menores e à valorização do real, Klabin e Irani estariam em uma posição relativamente mais vantajosa. Embora a desvalorização do dólar não seja intrinsecamente positiva para essas companhias, o argumento do Citi é que o impacto seria menos adverso do que para a Suzano, cujos resultados possuem uma dolarização mais acentuada, tornando-a mais vulnerável à apreciação da moeda brasileira.
Impacto Cambial e Receitas
"No setor de papel e celulose, vemos Klabin e Irani como relativamente mais beneficiadas do que Suzano em um eventual governo de Flávio Bolsonaro, devido à maior exposição ao mercado doméstico e à menor sensibilidade ao câmbio", afirma o banco. Essa diferenciação é crucial. Em contrapartida, em um cenário de enfraquecimento do real, a Suzano se beneficiaria de um maior impulso cambial em suas receitas. Para Klabin e Irani, esse efeito positivo seria comparativamente menor, dada a concentração de suas receitas no mercado doméstico, que, embora menos volátil em termos de câmbio, também oferece um potencial de crescimento distinto.
Endividamento e Juros
Além da dinâmica de receitas, o Citi direciona o foco para a estrutura de endividamento das companhias. Tanto Suzano quanto Klabin ainda apresentam níveis de dívida considerados elevados. Na Suzano, o endividamento é substancialmente dolarizado, mas encontra um contraponto natural nas receitas predominantemente atreladas à moeda americana. A Klabin, por sua vez, também detém uma parcela significativa de sua dívida em dólares. No entanto, a companhia tem uma exposição maior a receitas em reais e aos juros domésticos. Essa combinação de fatores sugere que a queda nas taxas de juros, aliada à valorização do real, poderia impulsionar a trajetória de desalavancagem da Klabin. "Em um cenário de ajuste fiscal que resulte em juros mais baixos e em um real mais forte, acreditamos que a trajetória de desalavancagem da Klabin também poderá melhorar", avalia o Citi.
Cenário Político-Econômico
A análise do Citi reflete uma leitura sobre como diferentes perfis empresariais podem reagir a um ambiente político-econômico específico. Um governo com foco em ajuste fiscal e potencial valorização da moeda local pode beneficiar empresas com forte base de receita doméstica e menor exposição a dívidas em moeda estrangeira ou a receitas diretamente atreladas a commodities dolarizadas. A menor sensibilidade cambial da Klabin e Irani, em contraste com a Suzano, sugere que a dinâmica de seus negócios pode ser menos afetada por choques externos ou pela volatilidade cambial, permitindo uma gestão mais previsível do endividamento e dos resultados.
Implicações para Investidores
Para os investidores, a perspectiva apresentada pelo Citi sugere uma diferenciação estratégica dentro do setor de papel e celulose. Em um cenário eleitoral incerto, a análise de risco-retorno associada a cada empresa torna-se fundamental. A maior exposição ao mercado doméstico pode oferecer uma relativa estabilidade em tempos de volatilidade cambial, enquanto a capacidade de se beneficiar de juros mais baixos pode acelerar a redução do endividamento, fortalecendo a saúde financeira da companhia. A Suzano, por outro lado, pode apresentar um perfil de maior risco-retorno, com potencial de ganhos expressivos em cenários de desvalorização cambial, mas também com maior vulnerabilidade em um ambiente de real forte.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Money Times





