O Bitcoin tem mostrado uma recuperação notável nas últimas semanas, revertendo uma tendência de queda prolongada. Nesse cenário, o Citigroup elevou sua previsão de preço para os próximos 12 meses, projetando que a criptomoeda alcance US$ 113.000, um aumento significativo em relação à meta anterior de US$ 82.000. A instituição financeira atribui essa perspectiva otimista a um renovado interesse dos investidores e a um sentimento de mercado mais favorável.

O Renascido Apetite por Cripto

A análise do Citigroup sugere que a demanda por fundos negociados em bolsa (ETFs) lastreados em criptomoedas será um dos principais motores dessa alta. O banco estima que os fluxos para esses produtos possam atingir US$ 5 bilhões no próximo ano. Além disso, o Citigroup aponta a decisão do Tesouro dos EUA de recomprar títulos de longo prazo e a consequente desvalorização do dólar como fatores que revitalizarão o momentum dos ativos digitais.

Mecanismos da Nova Alta

A nova projeção surge após um período de preços estagnados ou em declínio. O Bitcoin, que atingiu um pico de US$ 124.000 em outubro de 2025, chegou a cair para US$ 58.000 em junho. A virada começou em meados de agosto, após o anúncio de recompra de títulos pelo Tesouro americano, que impulsionou uma alta nos preços. Em setembro, o Bitcoin superou a marca de US$ 80.000 pela primeira vez em quatro meses, mantendo-se próximo desse patamar desde então. O Citigroup destacou que a recente reversão nos fluxos de ETFs contribuirá para essa trajetória ascendente. Os ETFs de Bitcoin à vista enfrentaram um período desafiador em maio e junho, com saídas líquidas próximas a US$ 7 bilhões, segundo dados da plataforma SoSoValue. Contudo, a partir de julho, a tendência se inverteu, e em setembro, esses ETFs registraram entradas superiores a US$ 2 bilhões.

Fatores Macroeconômicos e Regulatórios

A desvalorização do dólar, impulsionada pela recompra de títulos pelo Tesouro, oferece um suporte adicional ao Bitcoin. Historicamente, um dólar mais fraco tende a tornar os investidores mais propensos a assumir riscos, especialmente em ativos especulativos como as criptomoedas. Paralelamente, o cenário regulatório nos Estados Unidos também tem sido um alento para o mercado cripto. Embora o "Clarity Act", um projeto de lei que visava estabelecer regras amplas para o mercado, não tenha avançado no Senado em meados de setembro, o Bitcoin demonstrou resiliência. Logo em seguida, a Securities and Exchange Commission (SEC) sinalizou sua intenção de utilizar seus poderes existentes para definir normas para o setor durante o restante da administração atual. O Citigroup considera que esses movimentos ajudaram a mitigar as preocupações dos investidores.

Perguntas em Aberto

Apesar do otimismo renovado, o mercado de criptomoedas ainda enfrenta incertezas. A eficácia das medidas regulatórias em andamento e a sustentabilidade da demanda por ETFs de Bitcoin em um cenário de volatilidade permanecem como pontos de atenção. A capacidade do mercado de absorver fluxos significativos e manter a estabilidade de preços, especialmente em face de potenciais mudanças na política monetária global, será crucial para a concretização das projeções mais ambiciosas. Observar a reação dos investidores institucionais e o desenvolvimento de novos produtos financeiros lastreados em criptoativos fornecerá pistas importantes sobre a direção futura.

A projeção do Citigroup reflete um otimismo cauteloso, ancorado em tendências macroeconômicas e no amadurecimento do ecossistema de criptoativos. A performance futura do Bitcoin dependerá da interação complexa entre esses fatores, o apetite ao risco dos investidores e a evolução do ambiente regulatório. Com reportagem de Brazil Valley

Source · Fortune