A Claro anunciou a conclusão da aquisição de 72,83% do controle da Desktop, uma das maiores operadoras regionais de internet do Brasil. O negócio, avaliado em R$ 1,75 bilhão, representa um passo significativo na estratégia da Claro de expandir sua atuação no mercado de banda larga fixa, especialmente no estado de São Paulo, onde a Desktop possui uma forte presença.

A aquisição abrange 84.684.273 ações ordinárias, com um preço por ação de R$ 20,63, sujeito a ajustes contratuais. Os vendedores incluem o fundo Makalu Brasil Partners e quatro pessoas físicas, entre elas Denio Alves Lindo, um dos fundadores da Desktop. O movimento estratégico da Claro visa integrar a vasta base de clientes, a rede de infraestrutura e a capilaridade regional da Desktop, que atende mais de 1,2 milhão de clientes em mais de 200 cidades paulistas.

Consolidação em um Mercado Competitivo

O setor de telecomunicações no Brasil tem sido palco de intensa consolidação nos últimos anos. Grandes operadoras como Claro, Vivo e TIM buscam otimizar suas operações e expandir seu alcance, especialmente em banda larga fixa, um segmento cada vez mais estratégico com o aumento da demanda por conectividade de alta velocidade. A compra da Desktop pela Claro se insere nesse contexto, permitindo que a gigante amplie sua participação de mercado em uma região geograficamente importante sem a necessidade de construir toda a infraestrutura do zero. A Desktop, com sua rede de fibra ótica cobrindo cidades como Campinas, Sorocaba e São José do Rio Preto, oferece um ativo valioso para a Claro.

Aprovações Regulatórias e Condicionantes

A operação foi submetida e aprovada pelos órgãos reguladores brasileiros, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). A Anatel, em particular, impôs uma condição relevante: a Claro deverá reorganizar as redes de acesso para ocupar apenas um ponto de fixação nos postes, um processo que deve ser concluído em até 24 meses, com possibilidade de prorrogação. Essa exigência visa otimizar o uso da infraestrutura de postes, um ponto de atenção frequente em discussões sobre o compartilhamento de redes no setor. A aprovação do Cade, sem restrições, sinaliza que a concentração resultante da fusão não é vista como prejudicial à concorrência no mercado.

Implicações para Clientes e o Mercado

Para os mais de 1,2 milhão de clientes da Desktop, a aquisição pela Claro pode significar acesso a uma gama mais ampla de serviços e, potencialmente, a planos com maior velocidade e tecnologia. Tradicionalmente, a Claro oferece pacotes integrados de internet, TV e telefonia, o que pode ser estendido aos atuais clientes da Desktop. No entanto, a integração de redes e a potencial padronização de serviços podem gerar incertezas sobre a manutenção das ofertas e preços atuais. Para o mercado, a operação reforça a posição da Claro como uma das principais provedoras de banda larga fixa no país, aumentando a pressão competitiva sobre outras operadoras regionais e nacionais.

Próximos Passos e o Futuro da Desktop

Com a conclusão da aquisição do controle, a Claro protocolará na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) um pedido de oferta pública de aquisição (OPA) para comprar as ações restantes dos outros acionistas, incluindo o chamado 'tag along'. O preço por ação será o mesmo pago aos vendedores, com os devidos ajustes. Além disso, a Claro manifestou a intenção de realizar ofertas para retirar as ações da Desktop da bolsa de valores, convertendo seu registro na CVM e saindo do Novo Mercado, um segmento de listagem com regras mais rígidas de governança. Essa movimentação sugere uma integração mais profunda e uma gestão centralizada, com a Claro buscando consolidar a Desktop como parte de sua estratégia de expansão.

Com reportagem de Brazil Valley

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