As usinas de cana-de-açúcar no Brasil, maior produtor mundial de açúcar e segundo maior produtor de etanol, darão mais atenção às condições climáticas do que aos preços para decidir quanto açúcar ou combustível produzir daqui até o final da colheita, em dezembro. O clima mais chuvoso do que o normal no centro-sul do Brasil, uma característica dos fenômenos El Niño intensos, provavelmente impedirá que as usinas aumentem a produção de açúcar, como alguns participantes do mercado esperavam após os preços da commodity terem subido acentuadamente. Em vez disso, as usinas brasileiras continuarão a destinar mais cana-de-açúcar à produção de etanol do que à de adoçante, disseram analistas e operadores à Reuters. A alta umidade da cana que está sendo colhida significa que a safra é mais adequada para a produção de etanol, afirmaram os especialistas. A umidade estimula o crescimento vegetativo da planta, reduzindo a concentração de açúcar, mas sem afetar seu uso como combustível, explicaram.
Foco no Clima, Não no Preço
"No fim das contas, não estamos mais olhando para os preços de mercado para estimar a composição da produção na reta final da safra. O foco é o clima", disse Marcelo Bonifácio Filho, analista de açúcar da corretora StoneX. Algumas regiões do cinturão açucareiro brasileiro tiveram o inverno mais chuvoso em mais de 100 anos, segundo a Universidade de São Paulo, o que já causou atrasos na colheita. O mercado global de açúcar acompanha de perto a composição da produção das usinas brasileiras, ou seja, a quantidade de cana que elas destinam à produção de açúcar ou etanol. Essa composição é o que determina a quantidade de açúcar que chegará ao mercado proveniente do Brasil. Cada ponto percentual a mais na composição voltado para o açúcar, por exemplo, equivale a cerca de 750 mil toneladas adicionais.
A Composição da Safra Atual
A safra atual apresentou uma composição mais voltada para o etanol durante a maior parte do ano, em meio aos altos preços do petróleo pelo conflito no Oriente Médio e pelos preços do açúcar anteriormente mais baixos. Até o início de julho, as usinas haviam utilizado apenas 42,5% da cana para a produção de açúcar. Os futuros da commodity subiram 21% em agosto, no entanto, devido principalmente ao El Niño, tornando o adoçante mais lucrativo para as usinas do que o etanol.
Limitações Climáticas e Preços em Alta
"A diferença está atualmente em cerca de 20% a favor do açúcar", disse Fábio Meneghin, sócio da consultoria Veeries, acrescentando que há um claro incentivo para que as usinas produzam o adoçante. "A proporção de açúcar só não está aumentando por causa do clima", afirmou. A atual alta nos preços do açúcar poderia ser limitada se as usinas brasileiras conseguissem aumentar a proporção da commodity e injetar oferta adicional no mercado, afirmou a corretora GSX Commodities em comentário à Reuters. Mas, se não conseguirem fazer isso, e também se as condições de chuva impedirem as usinas de colher toda a cana disponível, os preços do açúcar poderão subir ainda mais, acrescentou.
Revisões na Estimativa de Produção
A StoneX afirmou que o mercado já havia reduzido sua expectativa para a produção de açúcar no centro-sul do Brasil para menos das 40 milhões de toneladas métricas previstas no início da safra. A empresa vê a possibilidade de a produção total não ultrapassar 38 milhões de toneladas. Novas revisões para baixo na estimativa da safra podem ocorrer, afirmou o analista sênior de açúcar Michael McDougall, já que está previsto um bom volume de chuvas para o centro-sul no início de outubro.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Money Times





