A gestora de venture capital Climentum Capital, baseada em Copenhague, acaba de anunciar um primeiro fechamento de €60 milhões para seu segundo fundo. O montante, destinado a startups europeias de “hard tech” climático, já iguala o tamanho total de seu veículo inaugural, lançado em 2022, e mira um total de até €100 milhões.
O movimento sinaliza um apetite crescente por uma tese de investimento específica e paciente: a descarbonização da base industrial europeia. Em vez de focar apenas em soluções de software, a Climentum aposta em empresas B2B que desenvolvem tecnologias físicas para fortalecer a resiliência industrial, a segurança energética e a eficiência das cadeias de suprimento do continente, segundo reportagem do portal ArcticStartup.
A tese do concreto
O termo “hard tech” é a chave para entender a estratégia. Trata-se de uma aposta em engenharia pesada, novos materiais e processos de manufatura — ativos que exigem mais capital e tempo de desenvolvimento do que um aplicativo ou um SaaS. A tese da Climentum é que a modernização da indústria europeia, acelerada por pressões geopolíticas e metas de descarbonização, cria uma demanda estrutural por essas inovações.
A lista de investidores do fundo reforça essa visão. Ao lado de nomes como o Fundo Europeu de Investimento (EIF), estão o fundo soberano da Dinamarca (EIFO) e a Sociedade Dinamarquesa de Engenheiros (IDA). É um capital que, em tese, compreende os ciclos mais longos e a natureza física dos ativos, buscando retornos atrelados à competitividade estratégica do continente, e não apenas à próxima onda de software.
Validação e próximos passos
Para uma tese de longo prazo, a validação inicial é crucial para atrair mais capital. A Climentum já tem uma história para contar: a recente venda da KNXT, uma empresa de seu portfólio, para a companhia de engenharia sueca Studsvik. A saída, ocorrida menos de três anos após o investimento inicial, funciona como prova de conceito, demonstrando que gigantes industriais estabelecidos estão dispostos a adquirir essa nova geração de tecnologia para acelerar sua própria transformação.
Com o novo fundo, a gestora planeja liderar rodadas Seed e Série A, com foco particular nos países nórdicos e na Alemanha — o coração industrial da Europa. A estratégia não é apenas sobre encontrar as melhores startups, mas sobre construir um ecossistema onde a inovação em “hard tech” encontra um caminho claro para o mercado, seja por meio de parcerias ou aquisições pela indústria tradicional.
O movimento da Climentum é um microcosmo de uma vertente do venture capital europeu que busca seu diferencial não na escala do software, mas na profundidade da engenharia. A questão que permanece é se este capital paciente, focado na intersecção da indústria com a transição energética, conseguirá gerar retornos competitivos na mesma velocidade que seus pares focados no mundo digital.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · ArcticStartup





