A corrida pela visibilidade digital mudou de patamar. CMOs de grandes marcas, incluindo American Eagle, Chime e Coach, estão redirecionando seus orçamentos e equipes para garantir que suas empresas sejam citadas corretamente por ferramentas de IA generativa. Segundo reportagem do Business Insider, a mudança reflete uma nova realidade onde o comportamento do consumidor, que antes buscava links em buscadores tradicionais, agora espera respostas diretas e curadas por LLMs.
O movimento é impulsionado pela eficácia dessas plataformas na jornada de compra. Dados da McKinsey indicam que cerca de metade dos consumidores americanos já utiliza IA para avaliar produtos, enquanto um estudo da Similarweb aponta que usuários são 2,5 vezes mais propensos a visitar o site de uma marca recomendada por um chatbot do que o de um concorrente. Para os executivos, o desafio não é apenas aparecer, mas controlar a narrativa que a IA entrega ao usuário.
A transição do SEO para o AEO
A transição do Search Engine Optimization (SEO) para o Answer Engine Optimization (AEO) exige uma produção massiva de conteúdo técnico e autêntico. Vineet Mehra, CMO da Chime, defende a criação de uma "fábrica de conteúdo" própria que alimente os modelos com informações precisas. A estratégia envolve utilizar startups de tecnologia para medir a visibilidade em motores de resposta e escalar a produção de textos que respondam a dúvidas específicas dos consumidores, indo além da simples repetição de termos de busca.
Marcas como a American Eagle têm adotado parcerias com plataformas como a Optiversal para gerar milhares de artigos e conteúdos em blogs que servem de base para o treinamento de bots. A ideia é que, quando um consumidor busca por uma recomendação de vestuário para uma situação específica, o modelo de IA encontre dados estruturados e contextuais suficientes para sugerir a marca como a solução ideal.
A centralidade da pesquisa qualitativa
Não se trata apenas de volume, mas de entender a intenção por trás da pergunta. Joon Silverstein, da Coach, enfatiza que a otimização moderna depende de pesquisas qualitativas profundas. Ao realizar centenas de entrevistas com consumidores em diferentes cidades, a marca consegue mapear as dores e as aspirações do público-alvo, permitindo que a empresa antecipe quais perguntas os clientes farão ao ChatGPT ou ao Gemini sobre seus produtos.
Essa abordagem humana serve como um filtro para a estratégia digital. Ao compreender a identidade e os desafios do consumidor, as marcas conseguem produzir materiais que não apenas informam, mas que se alinham à linguagem e às expectativas dos usuários. O objetivo é garantir que a IA, ao processar esses dados, interprete a marca como uma autoridade legítima e confiável dentro de seu nicho de mercado.
O papel das comunidades e redes sociais
Plataformas como Reddit e YouTube tornaram-se pilares estratégicos, pois seus conteúdos são amplamente citados pelos modelos de IA. A Bobbie, empresa de fórmula infantil, tem focado na criação de vídeos informativos que respondem dúvidas comuns de pais, posicionando a marca em um ecossistema onde a IA busca validação social. O desafio, contudo, é equilibrar a presença de marca com a autenticidade exigida por comunidades orgânicas.
Especialistas alertam que não existe uma solução única ou "bala de prata" para o AEO. Como as plataformas de IA alteram seus algoritmos com frequência, as táticas que funcionam hoje podem tornar-se obsoletas rapidamente. O conselho central é evitar o excesso de autopromoção e focar em ser a marca que os consumidores realmente recomendam, pois a reputação continua sendo o fator decisivo para a curadoria dos modelos.
Incertezas e futuro da descoberta
A falta de transparência das plataformas de IA sobre como as recomendações são geradas mantém os CMOs em estado de alerta. O comportamento do usuário ainda é híbrido: enquanto a IA domina a fase de descoberta, a busca tradicional ainda é preferida no momento final da transição para a compra. Esse cenário fragmentado dificulta uma medição precisa do retorno sobre o investimento em AEO.
O futuro da visibilidade digital dependerá da capacidade das marcas em adaptar-se a um ambiente onde a resposta é gerada em tempo real. Observar como os modelos de linguagem evoluem e como a confiança do consumidor se distribui entre fontes de dados será o principal exercício estratégico para os próximos anos. A relevância será, cada vez mais, conquistada pela qualidade da informação fornecida aos sistemas de inteligência.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Business Insider





