O presidente da Comissão Nacional dos Mercados e da Competência (CNMC) da Espanha, Juan José Ganuza, sinalizou que o país se encontra em um ponto de inflexão no setor elétrico, com potencial para um significativo avanço em competitividade. Essa oportunidade, segundo ele, é impulsionada pela robusta geração de energia renovável, que atua como um "escudo frente à situação geopolítica" global, e pela necessidade de fortalecer as redes elétricas e a eletrificação da demanda.

Em sua primeira aparição pública relevante para o setor elétrico, Ganuza ressaltou que um mix energético diversificado e com forte presença de fontes limpas proporciona um "duplo dividendo: mais verde e mais concorrência". Essa combinação, argumenta o dirigente, explica a vantagem competitiva da Espanha em termos de preços de energia na União Europeia, ao lado dos países nórdicos. O grande desafio, contudo, reside em expandir essa vantagem competitiva para toda a economia através da eletrificação do consumo, o que, na visão do presidente da CNMC, resultará em ganhos de produtividade e um impacto positivo no meio ambiente.

Redes como Pilar da Transformação

Para Ganuza, o investimento em redes de transmissão e distribuição é a "pedra angular" para concretizar essa visão de futuro. O atual ritmo de desenvolvimento econômico exige não apenas a expansão da infraestrutura existente, mas também a otimização da eficiência das redes atuais. Nesse sentido, o marco regulatório estabelecido para o período 2026-2031, com uma taxa de remuneração de 6,58%, foi elogiado por Ganuza como um elemento de estabilidade crucial para atrair o investimento necessário. Esse período de seis anos, segundo ele, foi desenhado para incentivar aportes, maximizar a infraestrutura e garantir a proteção do consumidor.

Desafios na Gestão e Acesso à Rede

A gestão do acesso e da capacidade das redes elétricas foi identificada como outro desafio premente. A recente divulgação do mapa de capacidade, conforme explicado por Ganuza, trouxe clareza sobre a situação real do sistema. Ele afastou a ideia de uma congestão física estrutural, enfatizando a necessidade de otimizar o uso dos nós de rede existentes. A adoção de "redes inteligentes para fazer um uso inteligente da rede" é, portanto, fundamental para a eficiência do sistema energético espanhol.

Implicações para o Ecossistema Energético

O discurso de Ganuza aponta para uma estratégia clara de desenvolvimento do setor elétrico espanhol, centrada na sinergia entre infraestrutura, fontes renováveis e demanda eletrificada. A estabilidade regulatória prometida pelo marco de remuneração de longo prazo é um sinal positivo para investidores, buscando mitigar riscos e incentivar aportes substanciais. A ênfase na otimização das redes existentes sugere um foco em eficiência e tecnologia, em vez de apenas expansão física. A colaboração entre a CNMC e as empresas do setor, como manifestado por Ganuza, é vista como essencial para navegar os complexos desafios de transição energética e garantir que os benefícios de competitividade se estendam a toda a economia.

Perguntas em Aberto e Perspectivas Futuras

Embora Ganuza tenha delineado um caminho promissor, algumas questões permanecem em aberto. A velocidade com que as novas infraestruturas de rede serão implementadas e a eficácia das medidas de otimização das redes existentes ainda precisam ser comprovadas na prática. Além disso, a plena eletrificação da demanda em setores como o transporte e a indústria demandará investimentos significativos e políticas de incentivo robustas. A capacidade do marco regulatório de se adaptar a futuras inovações tecnológicas e a volatilidade dos mercados globais também será um fator determinante para o sucesso a longo prazo.

O presidente da CNMC estendeu um convite à colaboração com o setor, buscando estreitar laços institucionais e empresariais para consolidar o avanço competitivo da Espanha. A jornada rumo a um sistema energético mais eficiente, sustentável e competitivo está em curso, com as redes e a eletrificação como pilares centrais dessa transformação.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España