A Coinbase, maior plataforma de criptoativos dos Estados Unidos, escolheu Abu Dhabi como seu hub internacional para a tokenização de ativos. A empresa recebeu uma licença do Abu Dhabi Global Marketplace (ADGM), um dos principais centros financeiros da região, para estruturar e custodiar ativos digitais, viabilizando a emissão de títulos tokenizados lastreados em ações reais.
O movimento é mais do que uma simples expansão geográfica. Segundo reportagem da Fortune, a decisão representa um passo estratégico da Coinbase em direção a jurisdições com maior clareza regulatória, enquanto o ambiente nos EUA se torna cada vez mais restritivo. A leitura é que a empresa está construindo a infraestrutura para a próxima fase da economia digital em um terreno mais fértil e previsível.
O Oásis Regulatório
Abu Dhabi não foi uma escolha acidental. Desde 2018, o emirado vem construindo um dos arcabouços regulatórios mais avançados do mundo para ativos virtuais, por meio do ADGM. Essa abordagem proativa contrasta diretamente com a postura de “regulação por enforcement” adotada por agências americanas como a SEC, que tem gerado incerteza e afugentado players do setor.
A aposta da Coinbase é na tokenização de ativos do mundo real (Real World Assets, ou RWA) — a conversão de ativos financeiros tradicionais, como ações e títulos de dívida, em tokens digitais negociáveis em blockchain. Para a Coinbase, este é “o passo mais significativo até agora na construção de uma infraestrutura para um sistema financeiro global mais aberto e acessível”, conforme comunicado da empresa.
O Petróleo Digital do Golfo
A iniciativa da Coinbase se insere em um movimento mais amplo do Golfo Pérsico para se posicionar como um centro nevrálgico da nova economia digital, diversificando sua matriz para além do petróleo. Os Emirados Árabes Unidos, em particular, têm utilizado seus vastos fundos soberanos para investir pesadamente em tecnologia e finanças digitais.
O potencial é imenso. Uma análise da consultoria Kearney projeta que cerca de US$ 500 bilhões em ativos na região do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC) serão representados em blockchain até 2030, abrangendo mercados privados, fundos e depósitos bancários. A Coinbase, que já opera um negócio de derivativos em Dubai e um projeto de dívida digital em Abu Dhabi, aprofunda sua aposta para capturar parte desse fluxo.
O movimento da Coinbase é um sintoma da reorganização geográfica da indústria cripto. Enquanto centros tradicionais como o Vale do Silício e Nova York lidam com a ambiguidade, capital e talento buscam refúgio e oportunidade em jurisdições como Abu Dhabi e Dubai. A questão que permanece é se essa fragmentação criará um sistema financeiro global mais resiliente ou apenas novos silos de poder.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Fortune





