A confirmação oficial chegou em março de 2026: o glaciar Cerros de la Plaza, localizado na Sierra Nevada de Güicán, na Colômbia, deixou de existir. A notícia, validada pelo Instituto de Hidrologia, Meteorología e Estudios Ambientales (IDEAM), marca o fim de um processo de degradação que reduziu 5,5 quilômetros quadrados de gelo a uma área nula ao longo de décadas. O monitoramento foi realizado pelos satélites Copernicus Sentinel-2, da Agência Espacial Europeia, que documentaram a fragmentação do gelo ano após ano até o seu desaparecimento completo.
A precisão do monitoramento orbital
O uso de tecnologia espacial permitiu uma crônica detalhada da agonia do glaciar. Entre 2016 e 2026, as imagens capturaram a transição de uma massa de gelo visível para fragmentos dispersos sobre a rocha. A partir de 2022, o processo de desintegração acelerou, deixando apenas restos isolados até a extinção definitiva em 2026. A colaboração com o Instituto Geográfico Agustín Codazzi confirmou que o fenômeno é irreversível, inserindo o Cerros de la Plaza em uma triste lista de glaciares perdidos na região.
Vulnerabilidade dos glaciares tropicais
Os glaciares situados em latitudes tropicais enfrentam desafios estruturais únicos, pois não contam com o ciclo de inverno necessário para a recuperação da massa de gelo. A localização em altitudes próximas a 5.000 metros torna esses ecossistemas extremamente sensíveis a variações na temperatura média. A redução das precipitações em forma de neve diminui o albedo, criando um círculo vicioso onde a rocha exposta absorve mais radiação solar, intensificando o derretimento de forma contínua.
Impactos no ecossistema andino
A perda de um glaciar transcende a questão visual, afetando diretamente a regulação hídrica das bacias hidrográficas. Esses corpos de gelo funcionam como reservatórios naturais que liberam água durante épocas de seca, sustentando a fauna e a flora locais. A fragmentação desses habitats ameaça o equilíbrio ecológico dos páramos colombianos, considerados ecossistemas de alta vulnerabilidade, onde a fauna e a flora não encontram alternativas de adaptação rápida para as mudanças climáticas impostas.
O futuro da cobertura glaciar
O histórico do IDEAM revela uma tendência preocupante: a cobertura glaciar colombiana caiu de cerca de 347,9 quilômetros quadrados no século XIX para pouco mais de 30 quilômetros quadrados em 2024. Com a perda de 13 glaciares desde meados do século XX, a previsão de que todos os seis remanescentes desapareçam até 2050 coloca pressão sobre a gestão de recursos hídricos. O desafio agora é entender a resiliência das comunidades e ecossistemas que dependem desses reguladores naturais diante de um cenário de mudanças climáticas irreversíveis.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Xataka





