A Real American Freestyle (RAF), uma nova promoção de luta olímpica, está tentando realizar o que muitos consideram impossível: transformar um esporte amador por excelência em um espetáculo de massa. Lançada em 2025 com a participação póstuma da lenda do WWE Hulk Hogan, a organização aposta em um modelo de negócios que parece importado diretamente do manual das startups de tecnologia.
Segundo reportagem do Front Office Sports, a estratégia da RAF, liderada pelo CEO e cofundador Chad Bronstein, se apoia em três pilares: capital de risco, estrelas de outras modalidades e uma cadência agressiva de conteúdo. A tese é que a luta olímpica não carece de apelo, mas de uma plataforma profissional e constante para seus fãs e atletas.
O motor: estrelas, frequência e streaming
Para contornar o ciclo de atenção quadrienal das Olimpíadas, a RAF implementou uma agenda de eventos mensais. “Estamos produzindo eventos e criando conteúdo. Não damos tempo suficiente para que os consumidores se esqueçam de nós”, afirmou Bronstein. Essa frequência constante é alimentada por um acordo de mídia com a Fox Nation, que já foi renegociado oito vezes e garante a transmissão de 34 eventos até 2028.
O principal atalho para a relevância, contudo, vem do octógono do UFC. A RAF tem escalado nomes de ponta do MMA, como Khamzat Chimaev e o ex-campeão Henry Cejudo, para suas competições. Os pagamentos são competitivos, na casa das centenas de milhares de dólares, segundo relatos, atraindo talento e, crucialmente, a base de fãs já consolidada do UFC. É uma tática de "growth hacking" aplicada ao esporte: pegar carona em uma audiência adjacente para construir a sua própria.
Venture capital encontra o tatame
Por trás da ambição, há um motor financeiro robusto. A RAF é financiada por firmas de venture capital como Left Lane Capital e Cassius, o que a diferencia de ligas que dependem apenas da paixão de seus fundadores. A prova de tração veio rápido: US$ 10 milhões em receita de patrocínio já no primeiro ano, um número que Bronstein usa para rebater os céticos que preveem um fim rápido por queima de caixa.
A visão de longo prazo é criar um ecossistema completo, o que inclui a aquisição de clubes de base e o lançamento de torneios juvenis, a RAF Next Gen. O objetivo declarado pelo CEO é audacioso: fazer pela luta o que a NFL fez pelo futebol americano. A estrutura de capital e a estratégia de mídia indicam que, mais do que um sonho, trata-se de um plano de negócios calculado.
Apesar das sinergias e da presença de atletas do UFC, Bronstein afirma que não há conversas abertas sobre uma aquisição pela TKO, holding que controla o UFC e a WWE, mas não fecha a porta com um “nunca diga nunca”. Por enquanto, o foco da RAF é provar que a luta olímpica, com o verniz, o capital e a distribuição corretos, pode se tornar um produto de entretenimento viável e lucrativo por conta própria.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Front Office Sports





