A Orbia, plataforma de agronegócio que tem Bayer, Yara e Itaú BBA como sócios, superou a marca de R$ 7 bilhões em transações acumuladas em seus sete anos de operação. O número, que agrega operações de fidelidade, marketplace de insumos e crédito, sinaliza a consolidação de um dos principais ecossistemas digitais do campo no Brasil.

Agora, a companhia prepara sua próxima fronteira: a logística. Segundo reportagem da Bloomberg Línea, que conversou com o CEO Ivan Moreno, os próximos passos incluem a criação de uma operação para viabilizar vendas diretas da indústria ao produtor. O movimento representa uma evolução natural para uma plataforma que já detém a atenção e a transação do cliente, mas que agora busca resolver uma das dores mais agudas e complexas do setor: a entrega física dos produtos.

Do ponto à plataforma

A trajetória da Orbia é um caso clássico de construção de ecossistema. A empresa não nasceu como um marketplace, mas como um programa de fidelidade, alavancando a capilaridade de gigantes como a Bayer para agregar uma base massiva de produtores. Uma vez estabelecido o canal de comunicação e a recorrência, a plataforma adicionou camadas de maior valor, como a venda de insumos e a oferta de crédito, esta última em parceria com o Itaú BBA.

Essa estratégia de começar com um produto de alta frequência para depois verticalizar em serviços financeiros e de e-commerce é uma cartilha bem executada no mundo digital. O diferencial da Orbia é o seu lastro corporativo. Não se trata de uma startup buscando validação, mas de um braço estratégico de líderes da indústria que buscam digitalizar suas cadeias de distribuição, ganhar eficiência e, crucialmente, ter acesso direto aos dados e ao relacionamento com o cliente final.

A fronteira da logística

O plano de estruturar uma operação logística, inicialmente para pequenos volumes, é o passo mais ambicioso até aqui. Vender online é um desafio; entregar toneladas de insumos em fazendas com acesso restrito é uma ordem de magnitude mais complexa. Ao entrar nesse campo, a Orbia deixa de ser apenas uma intermediária digital para se tornar uma operadora com ativos e complexidade no mundo físico.

Este é o teste definitivo para as agritechs que operam modelos de marketplace. A decisão de internalizar parte da logística, mesmo que de forma gradual, sugere que a simples conexão digital entre pontas não é suficiente para capturar todo o valor e resolver a dor do cliente. O movimento coloca a Orbia em um novo jogo competitivo, não apenas contra outras plataformas, mas também contra distribuidores tradicionais e startups focadas exclusivamente na logística do agronegócio.

A transição de uma plataforma de bits para uma que move átomos é o maior desafio para qualquer empresa de tecnologia que atua em setores da economia real. O sucesso da Orbia até aqui foi pavimentado no ambiente digital; seu próximo capítulo será escrito nas estradas de terra e nas porteiras das fazendas brasileiras.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Bloomberg Línea