A Confederação Nacional da Construção (CNC) da Espanha lançou um apelo por "moderação, diálogo e amplos acordos políticos e sociais" para lidar com a crise de habitação no país. Em vez de medidas "isoladas e cortoplacistas", a entidade defende um grande pacto de Estado que aborde as causas estruturais do problema. A posição foi defendida por Pedro Fernández Alén, presidente da CNC, durante o V Congresso Nacional de Vivienda da Associação de Promotores Construtores de Espanha (APCE).
Um Pacto para a Habitação
O cerne da questão, segundo a CNC, reside na necessidade de impulsionar a oferta de moradias. A Espanha enfrenta um déficit significativo: enquanto mais de 230 mil novos lares são criados anualmente, a construção de novas unidades mal atinge 95 mil. Para suprir essa demanda, Fernández Alén estima que o país precise construir cerca de 220 mil moradias por ano. O problema, na visão da entidade, assenta em três pilares: o bloqueio da Lei do Solo, a escalada nos custos de produção e uma carência de aproximadamente 700 mil trabalhadores qualificados.
Obstáculos Burocráticos e de Mão de Obra
A tramitação administrativa é apontada como um entrave considerável, com prazos para obtenção de licenças que superam o tempo de construção em si. A CNC reivindica a redução desses prazos, a agilização de procedimentos e a adoção de ferramentas como declarações responsáveis, sempre que legalmente viável. Paralelamente, a patronal destaca uma "paradoja" no mercado de trabalho: a escassez de mão de obra na construção coexiste com o aumento do desemprego juvenil. Em setembro, mais de 21 mil jovens com menos de 25 anos entraram para as estatísticas de desemprego, enquanto o setor da construção absorveu a maior parte dos novos desempregados. Para reverter esse quadro, a CNC propõe um plano de choque específico, via Fundação Laboral da Construção, para atrair jovens, mulheres e imigrantes para o setor.
Implicações e Próximos Passos
A postura da CNC sinaliza uma tentativa de influenciar o debate político e social sobre habitação, buscando uma abordagem mais estratégica e menos reativa. As implicações de um pacto de Estado bem-sucedido poderiam incluir a estabilização dos preços, a dinamização do setor da construção e a redução do desemprego juvenil. Por outro lado, a persistência de medidas fragmentadas e a falta de consenso político podem agravar o problema habitacional, impactando a economia e a coesão social. A questão agora é saber se o apelo por moderação e diálogo será ouvido e se as partes envolvidas conseguirão superar as divergências para encontrar soluções duradouras.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España





