O consumo de cerveja no Brasil demonstra sinais de enfraquecimento persistente desde meados de 2025, conforme aponta uma pesquisa recente do Bank of America com mil consumidores brasileiros. O levantamento indica que a frequência de consumo diminuiu, com uma parcela menor de entrevistados bebendo cerveja mais de uma vez por semana, um recuo em relação aos níveis observados anteriormente. Essa tendência é particularmente acentuada entre consumidores de baixa renda e mulheres, sugerindo uma mudança de hábitos influenciada por diversos fatores.

Mudanças nos Hábitos de Consumo

A principal força motriz por trás dessa retração parece ser a crescente preocupação com saúde e bem-estar. Entre os consumidores que mantiveram ou reduziram a ingestão de cerveja, uma parcela significativa citou dietas ou medicamentos para perda de peso, como os da classe GLP-1, como fatores determinantes. Para os mais jovens, a queda no consumo está ligada à menor frequência de ocasiões sociais que tradicionalmente envolvem a bebida. Essa mudança de prioridades reflete uma adaptação do mercado brasileiro a tendências globais de saúde e autocuidado, impactando diretamente setores de consumo de bebidas alcoólicas.

Canais de Consumo e Preferências de Marca

O comportamento de consumo também se reflete nos canais de venda. O consumo fora de casa, em bares e restaurantes, perdeu espaço para o consumo em casa, que agora responde por 60% do volume total. Essa migração para o ambiente doméstico, embora observada em diversas faixas etárias, é mais pronunciada entre consumidores mais velhos. No que diz respeito às marcas, a Heineken mantém a preferência geral, mas Amstel e Spaten têm ganhado terreno. A Ambev, apesar de enfrentar um cenário desafiador, viu sua participação de mercado se estabilizar e iniciar uma recuperação, atribuída à sua estratégia de portfólio e a uma execução de preços menos consistente de concorrentes como a Heineken.

Implicações para a Ambev e o Mercado

O Bank of America projeta que o mercado de cerveja continuará sob pressão em 2027, devido ao menor consumo e à sensibilidade a preços. O avanço de marcas com apelo à saúde, como as versões zero álcool e com menos calorias, como Heineken 0.0 e Michelob Ultra, também representa um desafio e uma oportunidade. Para a Ambev, a recuperação da participação de mercado é um sinal positivo, mas a volatilidade do setor e a pressão de custos podem levar a revisões negativas em projeções de lucro. O dividend yield de 6% da empresa é visto como um suporte para a avaliação de suas ações em meio a um cenário de incertezas.

Perguntas em Aberto e Perspectivas Futuras

O cenário atual levanta questões sobre a sustentabilidade da recuperação da Ambev e a capacidade do mercado de cerveja de se adaptar a novas prioridades de consumo. A consolidação de marcas com foco em saúde e o comportamento de compra em casa são tendências que devem persistir, exigindo adaptação contínua das estratégias das empresas. Resta saber se a Ambev conseguirá sustentar sua recuperação e expandir sua participação em um mercado cada vez mais segmentado e consciente.

O mercado de cerveja no Brasil está em transformação, com consumidores reavaliando hábitos e prioridades. Enquanto a Ambev busca consolidar sua recuperação, outros players ganham espaço com inovações e foco em nichos específicos, moldando o futuro do setor. Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times