O Sindicato Nacional de Controladores de Tránsito Aéreo (Sinacta) do México formalizou nesta semana um aviso de greve contra a Secretaria de Infraestrutura, Comunicaciones y Transportes (SICT) e a Secretaria de Hacienda e Crédito Público (SHCP). A medida, decidida após o XVI Congresso Nacional da categoria, ocorre em um momento de alta sensibilidade logística, a poucas semanas do início da Copa do Mundo 2026.
A movimentação sindical surge após um ano de negociações estagnadas. Segundo o sindicato, as autoridades têm ignorado reivindicações sobre déficit estrutural de pessoal, perdas salariais acumuladas e deficiências tecnológicas que comprometem a segurança operacional do espaço aéreo mexicano.
Crise de infraestrutura e pessoal
O cerne do conflito reside na falta de profissionais qualificados. O sindicato estima um déficit de aproximadamente 500 controladores aéreos em todo o território nacional. Esse desequilíbrio força os operadores em serviço a cumprirem jornadas exaustivas, prejudicando o tempo de descanso necessário para funções de alta precisão. Além da escassez, a categoria denuncia a alocação irregular de cerca de 25 trabalhadores, que estariam atuando em diferentes estações sem nomeações oficiais ou remuneração adequada.
As deficiências não se limitam ao capital humano. Relatos apontam falhas técnicas em infraestruturas críticas, como antenas localizadas em regiões montanhosas e a ausência de instrumentos meteorológicos essenciais em diversos aeroportos. O secretário-geral do Sinacta, José Alfredo Covarrubias, enfatizou que a falta de avanços nas mesas de negociação tornou a greve a única alternativa viável para os trabalhadores.
O impacto nas operações aéreas
O papel do controlador aéreo é fundamental para a segurança da aviação comercial. Responsáveis pela autorização de pousos, decolagens e pela coordenação do fluxo de aeronaves, qualquer paralisação impactaria diretamente os principais hubs do país, incluindo o Aeroporto Internacional Benito Juárez, na capital, além de terminais em Monterrey e Guadalajara. Essas cidades são polos estratégicos que receberão o maior volume de torcedores e turistas durante o Mundial.
O cenário é agravado pela projeção de um aumento de 44% no fluxo turístico em relação a períodos anteriores. Estima-se que apenas a Cidade do México receba 2,6 milhões de visitantes durante o evento, enquanto Guadalajara deve receber cerca de 2,5 milhões. A interrupção ou mesmo a redução do ritmo de trabalho dos controladores poderia gerar um efeito cascata em toda a malha aérea, com cancelamentos e atrasos em larga escala.
Apoio sindical e tensões regulatórias
A Associação Sindical de Pilotos Aviadores de México (ASPA) já manifestou apoio público ao movimento dos controladores. Em comunicado, a entidade destacou que a segurança aérea depende da precisão técnica em cada torre de controle, reforçando a legitimidade das demandas por melhores condições laborais. Essa aliança entre pilotos e controladores eleva a pressão sobre o governo mexicano, que agora enfrenta o desafio de resolver o impasse sem comprometer a logística da Copa.
Para as autoridades, o tempo é o maior adversário. A necessidade de realizar treinamentos e simulações para as novas demandas do Mundial, que segundo o sindicato não estão ocorrendo de forma regular, coloca o sistema sob estresse adicional. O governo terá de decidir entre ceder às exigências financeiras e estruturais ou arriscar uma paralisação que poderia manchar a imagem do país como sede internacional.
O futuro das negociações
O Tribunal Federal de Conciliação e Arbitraje na Cidade do México será o palco central das próximas movimentações. A incerteza sobre o desfecho das negociações mantém o setor aéreo em alerta máximo. Observadores do mercado aguardam para ver se o governo priorizará a estabilidade operacional durante o torneio ou se manterá a postura de rigidez orçamentária que motivou o conflito.
O desenrolar desta disputa nas próximas semanas será um teste de resiliência para a infraestrutura mexicana. A capacidade de conciliar direitos trabalhistas com a demanda logística de um evento global de grande porte permanece como uma questão em aberto, cujos impactos podem ser sentidos muito além das torres de controle.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Expansión MX





