A Coperni, marca parisiense fundada por Sébastien Meyer e Arnaud Vaillant, encerrou suas operações em 2026 após um desentendimento com seu distribuidor e acionista majoritário, a Tomorrow. Ao longo de sua trajetória, a grife se destacou por transformar ideias radicais em objetos vestíveis, posicionando a moda como uma plataforma para pesquisa científica e tecnológica. As inovações apresentadas pela Coperni incluíram desde tecidos líquidos que se solidificam sobre o corpo até peças de vestuário que interagem com o microbioma da pele, além de colaborações com cientistas e engenheiros que trouxeram tecnologias incomuns para as passarelas.
O Legado de Experimentos Ousados
A trajetória da Coperni foi marcada por momentos de grande impacto visual e conceitual, que desafiaram as convenções da indústria da moda. Um dos episódios mais memoráveis ocorreu na primavera/verão de 2023, quando Bella Hadid subiu à passarela para ter um vestido branco borrifado diretamente sobre seu corpo. Desenvolvida em parceria com a Fabrican, empresa de tecnologia têxtil, a criação utilizou fibras suspensas em uma solução que, ao secar, solidificou-se em um tecido flexível. O processo, realizado ao vivo diante do público, culminou na formação de uma peça de vestuário completa em minutos, demonstrando o potencial da tecnologia para a criação de moda.
Outro momento notável foi a apresentação de outono/inverno de 2023, que contou com a participação de cinco robôs Spot da Boston Dynamics. Inspirados na fábula "O Lobo e o Cordeiro", os robôs interagiram com as modelos em uma performance que explorou a possível relação entre humanos e máquinas inteligentes, transformando a passarela em um palco para um encontro incomum entre tecnologia e expressão artística.
Inovações Materiais e Tecnológicas
A Coperni também explorou os limites da ciência de materiais. Para a coleção de outono/inverno de 2024, a marca apresentou a Air Swipe Bag, desenvolvida com o artista e pesquisador Ioannis Michaloudis. Essa bolsa translúcida foi confeccionada com aerogel de sílica, um material ultraleve composto por cerca de 99% de ar, associado a pesquisas da NASA. O resultado foi um acessório escultural com a silhueta reconhecível da Swipe Bag, pesando apenas 33 gramas e com uma aparência etérea e semelhante a nuvens.
A mesma coleção introduziu uma bolsa que funcionava como um CD player portátil. Com o design curvo da Swipe Bag, o acessório metálico incorporava um leitor de disco funcional com fones de ouvido e bateria recarregável, resgatando a nostalgia dos dispositivos musicais dos anos 90 e reinventando a tecnologia de consumo como um acessório de moda. Para a primavera/verão de 2025, em colaboração com a Rapid Liquid Print, a marca apresentou a Ariel Swipe Bag, impressa dentro de um banho de gel, resultando em uma superfície contínua e suave.
Interação e Biotecnologia
Além de brinquedos digitais como o Tamagotchi, que inspirou um acessório em 2025, a Coperni inovou ao integrar som e biotecnologia em suas criações. Na primavera/verão de 2024, a marca apresentou uma jaqueta de couro com alto-falantes integrados, desenvolvida em parceria com a Transparent, que permitia ao usuário carregar um sistema de som no corpo. Mais recentemente, em outubro de 2025, a coleção C+ introduziu peças de vestuário tratadas com probióticos e prebióticos, em colaboração com a HeiQ. Essa linha de roupas íntimas e leggings foi projetada para interagir com o microbioma da pele, ativada pelo calor corporal e movimento, imaginando a roupa como um material ativo.
Embora a Coperni tenha encerrado suas atividades, seu legado de experimentação e a ousadia em fundir moda com ciência e tecnologia continuam a inspirar a indústria, deixando um questionamento sobre o futuro da inovação no setor.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Designboom





