A Corma, uma startup de cibersegurança baseada em Tel Aviv e São Francisco, acaba de emergir do modo stealth com uma rodada de captação seed de US$ 60 milhões. O investimento, de calibre incomum para um estágio tão inicial, foi liderado pela Sequoia Capital, com participação da Khosla Ventures e da Coatue, sinalizando uma forte aposta do mercado em sua tese.
A proposta da Corma é um antídoto para um dos efeitos colaterais da revolução da IA: enquanto modelos como os da OpenAI e Google se tornam mais poderosos, eles também se transformam em ferramentas potentes para ataques cibernéticos. A Corma desenvolve uma inteligência artificial treinada exclusivamente para a defesa, uma especialização que atraiu o capital de risco de primeira linha.
Uma IA para os defensores
Segundo o CEO Alon Pluda, em reportagem da Fortune, os modelos de IA mais populares se destacam em tarefas como escrever e refinar códigos ou identificar bugs — "capacidades que se mapeiam diretamente para a segurança ofensiva", disse ele. A Corma, por sua vez, treina seus modelos para atividades puramente defensivas, que segundo Pluda, têm pouco a ver com programação. O foco é analisar logs e auditorias para "encontrar a agulha no palheiro".
Essa especialização é a chave para combater ameaças que operam em velocidade sobre-humana. A empresa afirma que, nos clientes que adotaram sua tecnologia — incluindo organizações da Fortune 500 —, o tempo de resposta a ameaças foi reduzido em 94%. Como disse Shaun Maguire, sócio da Sequoia, "a IA agentiva dá aos atacantes uma vantagem estrutural de velocidade", e a abordagem da Corma visa reequilibrar essa balança.
O selo da Sequoia
Um cheque de US$ 60 milhões em uma rodada seed é mais do que capital; é uma declaração de intenções. A aposta da Sequoia, Khosla e Coatue valida a percepção de que as abordagens tradicionais de cibersegurança, mesmo as mais modernas, podem não ser suficientes para conter a nova onda de ataques autônomos. É a lógica de combater fogo com fogo, ou, mais precisamente, IA com IA.
O capital será usado para escalar os modelos da Corma, expandindo os dados de treinamento, e para contratar talentos em segurança defensiva e pesquisa em IA. O movimento sugere que o mercado de venture capital vê um filão claro na criação de "IAs de trincheira", projetadas não para a vastidão de tarefas de um modelo generalista, mas para a precisão e resiliência exigidas no campo de batalha digital.
O surgimento de empresas como a Corma ilustra uma nova fase na corrida armamentista da cibersegurança. A questão não é mais se a IA será a principal arma, mas qual tipo de IA — a generalista que pode ser cooptada ou a especialista, construída para a defesa — definirá a próxima fronteira da segurança digital.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Fortune





