A Cosentino, multinacional espanhola conhecida globalmente por suas superfícies de quartzo e outras pedras industrializadas, como a Silestone, deu um passo estratégico em sua relação com a tecnologia. A companhia anunciou ser a primeira empresa industrial na Espanha a utilizar o Microsoft Discovery, uma plataforma de inteligência artificial desenhada para acelerar a pesquisa científica.

O movimento, reportado pela Forbes España, representa mais do que uma simples adoção de software. É a culminação de uma jornada de digitalização que agora transborda da otimização de processos para a própria criação de produtos. A tese aqui é que a Cosentino está usando a IA não apenas para ser mais eficiente, mas para reimaginar o núcleo de seu negócio: o desenvolvimento de materiais que, segundo a empresa, eram “até agora inviáveis”.

Da otimização à invenção

A colaboração entre Cosentino e Microsoft não é nova. Ela começou com a cartilha padrão da transformação digital: adoção de Microsoft 365, Power BI para análise de dados e a migração de sistemas críticos, como o SAP, para a nuvem Azure — um projeto que, segundo a empresa, gerou ganhos de performance de até 97% em processos chave. Essa base de infraestrutura e dados foi fundamental para avançar em projetos de indústria 4.0, como a sensorização de fábricas e o uso de IoT.

Contudo, a adoção da plataforma Discovery marca uma inflexão. Enquanto as ferramentas anteriores visavam aprimorar a operação existente, a nova plataforma de IA atua diretamente na Pesquisa & Desenvolvimento. O objetivo é usar simulação preditiva para antecipar formulações de materiais, reduzindo drasticamente a necessidade de experimentação física em laboratório. Para uma indústria pesada, onde o custo e o tempo de P&D são barreiras significativas, o impacto é direto na capacidade de inovação e na velocidade de lançamento de novos produtos.

O agente de IA como copiloto do negócio

A estratégia de IA da Cosentino se revela holística, não se limitando ao laboratório. A empresa desenvolveu o CLAR, um agente de IA customizado para sua força de vendas. Baseado em tecnologia da Microsoft, o assistente permite que os profissionais de vendas gerenciem tarefas por voz, preparem propostas, consultem informações de CRM e resolvam pendências logísticas usando linguagem natural, seja no escritório ou em trânsito.

Este esforço se soma à adoção do GitHub Copilot para acelerar o desenvolvimento de software internamente e do Microsoft 365 Copilot para aumentar a produtividade das equipes. A visão de futuro declarada é a de uma “Autonomous Enterprise”, onde pessoas e sistemas de IA operam de forma integrada para otimizar decisões em toda a organização. O caso da Cosentino ilustra um modelo de maturidade no uso de IA: a tecnologia deixa de ser uma ferramenta pontual para se tornar uma capacidade estrutural que permeia da gestão comercial à invenção de seu próximo produto.

O movimento da companhia espanhola serve como um estudo de caso para indústrias tradicionais, inclusive no Brasil. A questão que se impõe não é mais se a IA será usada, mas com qual ambição. A fronteira parece se deslocar da simples automação de tarefas para a aceleração da própria capacidade criativa da empresa.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España