O crescimento exponencial do crédito privado transformou o segmento em um dos protagonistas do mercado financeiro global — e, consequentemente, em um alvo de intenso escrutínio. Com um volume de capital sem precedentes fluindo para fora dos mercados públicos, a pergunta que ecoa em Wall Street é se a bonança não estaria mascarando riscos latentes.
Para Logan Nicholson, diretor e gestor de fundos de crédito privado da Blue Owl, uma das maiores gestoras do setor, o questionamento é natural. Em uma análise recente, ele argumenta que a combinação de um ciclo de crédito maduro nos EUA com a expansão massiva do setor torna as perguntas inevitáveis. A leitura, contudo, é que o ruído não corresponde à realidade operacional das carteiras.
O escrutínio é natural
Segundo Nicholson, em entrevista ao programa Stock Pickers e reportada pelo InfoMoney, “em qualquer mercado onde você viu um crescimento explosivo e um aumento massivo na participação de mercado, é preciso fazer perguntas”. O diagnóstico é que a ausência de recessões profundas nos últimos 15 anos e o estreitamento histórico dos spreads de crédito reduziram a percepção de risco, jogando os holofotes sobre os mercados privados, especialmente após falências pontuais no setor bancário e no crédito público.
A desconfiança também recai sobre a exposição ao setor de tecnologia, financiado por fundos de private equity que, por sua vez, são tomadores de crédito privado. A dúvida é se a rentabilidade futura dessas companhias de software justifica os valuations e o endividamento. Apesar do ceticismo, Nicholson afirma que, objetivamente, os portfólios de crédito privado “estão indo muito bem”.
A prova está nos dados
O argumento central da Blue Owl reside nos indicadores financeiros das empresas investidas. Nicholson aponta para um crescimento consistente de receita e Ebitda, além de taxas de inadimplência que permanecem estáveis. “As empresas estão objetivamente um pouco melhores”, defendeu o gestor. Para ele, a maturidade do mercado começa agora a separar os gestores de alta qualidade daqueles que assumiram riscos mal precificados.
A competição acirrada levanta dúvidas sobre a capacidade de originação e a disciplina na alocação de capital. Nicholson sugere que uma divergência de performance já é visível, com algumas estratégias e gestores começando a apresentar resultados negativos. A capacidade de selecionar os melhores ativos e ter poder de barganha para filtrar operações de maior risco, segundo ele, é o que definirá os vencedores, especialmente em momentos de maior oscilação no valor patrimonial das BDCs (Companhias de Desenvolvimento de Negócios).
No fim, a defesa da Blue Owl é um lembrete de que, em mercados opacos como o de crédito privado, a qualidade da gestão é o principal fator de mitigação de risco. O debate sobre a saúde do setor está longe de terminar, mas a gestora aposta que os dados, por enquanto, estão a seu favor.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · InfoMoney





