O diagnóstico do influenciador Lito Souza, do canal Aviões e Música, com a doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ) trouxe a público uma das condições mais raras e devastadoras da neurologia. Segundo informações divulgadas pela família e reportadas pelo Olhar Digital, Souza já apresenta perda de capacidade motora, um dos sinais da rápida progressão da enfermidade.
O caso serve como um lembrete contundente sobre os limites do conhecimento médico. A DCJ não é causada por um vírus, bactéria ou fungo, mas por príons — proteínas que adotam uma forma anômala e induzem outras proteínas saudáveis a fazer o mesmo, num efeito dominó que destrói o tecido cerebral. A leitura aqui é que o drama de um diagnóstico como este reside não apenas na sua fatalidade, mas na impotência da ciência em oferecer um tratamento, restando apenas cuidados paliativos.
O inimigo dentro da proteína
A doença de Creutzfeldt-Jakob pertence a uma classe de patologias conhecidas como encefalopatias espongiformes, nome que descreve o aspecto de esponja que o cérebro adquire após a destruição dos neurônios. A forma mais comum, responsável por cerca de 85% dos casos, é a esporádica, sem causa conhecida e que afeta majoritariamente pessoas com mais de 60 anos. Formas hereditárias e adquiridas — incluindo a famosa "doença da vaca louca", por consumo de carne contaminada — são ainda mais raras.
O prognóstico é sombrio: a sobrevida após o início dos sintomas, que incluem demência, espasmos e perda de coordenação, raramente ultrapassa um ano. No Brasil, a raridade se confirma nos números. Entre 2005 e 2021, o Ministério da Saúde registrou pouco mais de 540 casos confirmados em todo o território nacional, uma média de 34 por ano. A dificuldade no diagnóstico, que depende de exames complexos como a ressonância magnética ponderada por difusão, contribui para a subnotificação e para o choque quando um caso vem à tona.
Diante de um agente infeccioso que é, em essência, uma versão corrompida de uma molécula do próprio corpo, as ferramentas farmacêuticas tradicionais se mostram ineficazes. A DCJ expõe uma fronteira biológica onde a vida se volta contra si mesma, um desafio conceitual e prático que permanece em aberto para a medicina do século 21.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Olhar Digital





