A CSN, conglomerado siderúrgico e de mineração controlado por Benjamin Steinbruch, concluiu uma complexa operação de manejo de seu passivo. A companhia trocou US$ 1,007 bilhão em títulos de dívida que venceriam em 2028 por novos papéis com maturidade em 2030. O alívio no cronograma, contudo, veio com um custo elevado: os juros dos novos títulos saltaram para 11% ao ano, ante os 6,75% dos papéis antigos.

A transação é um retrato do ambiente atual do mercado de capitais para empresas de setores cíclicos e com alavancagem relevante. Ganhar dois anos de prazo custou à CSN um prêmio de mais de quatro pontos percentuais na sua taxa de juros em dólar, um aumento expressivo que irá pressionar o serviço da dívida nos próximos anos. A leitura é que, para a gestão, a prioridade era afastar um vencimento relevante, mesmo que isso implicasse em maior despesa financeira futura.

O preço do tempo

A operação foi estruturada via CSN Inova Ventures, uma subsidiária da companhia. Investidores que detinham 77,5% do saldo dos títulos com vencimento em 2028 aceitaram a troca, superando o piso de 70% que a empresa havia estipulado. Para convencê-los, a CSN ofereceu uma combinação de novos títulos e um pagamento em dinheiro. No total, serão emitidos cerca de US$ 698 milhões em novas notas e desembolsados US$ 256 milhões em caixa. A companhia fez questão de ressaltar que a transação não gera novos recursos, sendo puramente uma reestruturação do perfil da dívida.

O movimento é um clássico exercício de "liability management", ou gestão de passivos. A CSN não está captando para investir, mas sim administrando seu balanço para evitar uma concentração de pagamentos em 2028. A alta adesão sugere que, para os credores, receber um juro maior e uma parcela em dinheiro agora foi mais atrativo do que esperar o vencimento original em um cenário de incertezas macroeconômicas. Para a CSN, o custo financeiro mais alto é o preço pago pela previsibilidade e pela flexibilidade operacional no médio prazo.

A decisão de alongar o passivo, mesmo a um custo maior, dá à administração da CSN um horizonte mais claro para executar sua estratégia. O foco do mercado, agora, se voltará para a capacidade de geração de caixa da companhia. Será preciso que o desempenho operacional seja robusto o suficiente não apenas para cobrir os investimentos e a operação, mas também para arcar com um serviço da dívida que acaba de ficar sensivelmente mais caro. O trade-off foi feito; a equação, no entanto, ainda precisa fechar.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times