A CSN (CSNA3) deu um passo significativo em sua estratégia de redução de endividamento ao firmar um acordo para vender sua operação de aços longos na Alemanha, a Stahlwerk Thüringen (SWT), por €550 milhões (aproximadamente R$3,1 bilhões). A negociação com o grupo espanhol Megasa, que prevê exclusividade de até dez semanas para a finalização dos contratos, representa um alívio para o balanço da companhia, que encerrou o segundo trimestre de 2025 com R$42 bilhões em dívida líquida e alavancagem de 3,49 vezes.

Desalavancagem avança, mas impacto é limitado

Analistas do BTG Pactual e da XP consideram a transação como um avanço positivo, mas com impacto isolado limitado. A XP estima que a venda, que ocorre a um múltiplo de cerca de nove vezes o Ebitda da SWT — superior ao da própria CSN —, poderia reduzir a alavancagem da companhia de 3,5 para 3,3 vezes. Embora não transforme o balanço sozinha, a operação pode amenizar as preocupações dos investidores com o endividamento. O BTG Pactual também vê a venda como um movimento para monetizar ativos não estratégicos, destacando que o valor anunciado é o enterprise value, próximo do valor efetivo da participação acionária dada a baixa dívida da subsidiária.

Aço alemão e a estratégia da CSN

A Stahlwerk Thüringen, adquirida pela CSN em 2012 como parte de sua diversificação internacional, possui capacidade instalada de 1,1 milhão de toneladas de aço por ano. A venda se insere em um contexto de pressão sobre o endividamento da CSN, que busca reestruturar suas finanças. A transação, contudo, ainda depende do cumprimento de condições usuais de fechamento e o valor está sujeito a ajustes, o que adiciona um elemento de incerteza até a conclusão definitiva.

Próximos passos e desafios persistentes

O BTG Pactual aponta que a atenção do mercado continua voltada para novos desinvestimentos, com a divisão de cimento sendo vista como o próximo catalisador relevante para fortalecer o balanço. Apesar do avanço na reestruturação financeira, o ambiente operacional permanece desafiador, especialmente nos segmentos de minério de ferro e fretes. Por conta desses fatores, os analistas mantêm uma recomendação neutra para as ações da CSNA3, com preço-alvo de R$10, indicando que, apesar da venda, os desafios para a companhia ainda persistem.

O que observar daqui para frente

A conclusão da venda da SWT e a eventual monetização de outros ativos, como a divisão de cimento, serão pontos cruciais a serem acompanhados. A capacidade da CSN de gerenciar seu endividamento e navegar em um cenário de commodities volátil determinará a trajetória futura da empresa. A Megasa, potencial compradora, já possui operações na Europa, o que pode indicar sinergias operacionais com a planta alemã.

A transação, embora importante para o alívio do endividamento, não resolve todos os problemas da CSN, que continua sob escrutínio de analistas e investidores quanto à sua capacidade de gerar valor sustentável em um mercado desafiador.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times