A D'Addario, uma das marcas mais tradicionais em acessórios para instrumentos musicais, admitiu ter usado inteligência artificial para criar a música de um vídeo promocional. A confissão veio após quase duas semanas de negações veementes, nas quais a empresa atribuiu os artefatos sonoros a problemas de exportação e ao uso de plugins como Autotune.
Segundo reportagem do The Verge, a ferramenta utilizada foi a plataforma Suno, conhecida por gerar músicas completas a partir de comandos de texto. O episódio é emblemático não pelo uso da tecnologia em si, mas pelo choque cultural e de marca que ele expõe: uma empresa cujo negócio é vender ferramentas para a criatividade humana, recorrendo a uma máquina para sua própria comunicação.
A Dissonância da Negação
A controvérsia escalou não por causa do solo de guitarra gerado por IA, mas pela resposta da D'Addario. Ao negar o fato, a companhia criou uma crise de confiança com sua principal audiência: músicos e produtores que identificaram rapidamente os traços sintéticos na composição. As desculpas iniciais, que mencionavam ferramentas de masterização assistida por IA como LANDR, apenas adiaram o inevitável, transformando o que poderia ser um debate sobre inovação em um caso de falta de transparência.
O recuo, feito através de uma atualização em um post no Instagram, serve como uma lição para marcas que atuam em campos criativos. A distinção entre usar IA como uma ferramenta de auxílio — algo já comum na indústria — e como um substituto para a criação humana tornou-se uma linha sensível. Para uma marca como a D'Addario, cuja promessa é a autenticidade do som, a percepção de hipocrisia pode ser mais danosa que qualquer nota fora do tom.
O caso D'Addario não é um evento isolado, mas um prelúdio. À medida que ferramentas como a Suno se tornam mais sofisticadas e acessíveis, a indústria musical será cada vez mais pressionada a definir os contornos da autenticidade e da autoria. A questão que fica não é se a IA será parte do processo criativo, mas como as empresas comunicarão seu uso — e o que o público estará disposto a aceitar.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · The Verge





