A Daki, empresa especializada em entregas rápidas de supermercado, anunciou um novo aporte do iFood, consolidando uma parceria estratégica voltada à aceleração tecnológica e geográfica. Segundo reportagem do InfoMoney, a companhia atingiu um faturamento anualizado de R$ 1 bilhão, com uma taxa de crescimento anual de 50% e o alcance do breakeven operacional, marco que sinaliza a sustentabilidade do modelo de negócio em um setor historicamente marcado pela alta queima de caixa.
O movimento ocorre em um momento de maturação do ecossistema de entregas no Brasil. Enquanto competidores de menor escala encerraram operações nos últimos anos, a Daki busca consolidar sua posição em um mercado de supermercados avaliado em mais de R$ 1 trilhão, onde a penetração digital ainda permanece em um dígito, sugerindo um vasto espaço para crescimento futuro.
A estratégia de verticalização e eficiência
A Daki aposta na verticalização da cadeia logística como principal diferencial competitivo. A operação, que atualmente abrange três grandes centros de distribuição e 40 centros urbanos, foca em entregas rápidas de aproximadamente 15 minutos. Essa estrutura permite um controle mais rigoroso sobre o sortimento de produtos, desde itens de mercearia até frescos e congelados, além de permitir a expansão da participação das marcas próprias, que hoje compõem 5% das vendas totais.
O foco em marcas próprias não é apenas uma estratégia de margem, mas uma forma de garantir a personalização da oferta e a competitividade de preços. A leitura aqui é que, em um mercado de conveniência digital, a fidelidade do cliente está intrinsecamente ligada à consistência da entrega e à relevância do catálogo, fatores que a Daki pretende reforçar através da regionalização do sortimento.
O papel da inteligência artificial no varejo
O aporte do iFood será direcionado, em grande parte, para o aprimoramento da infraestrutura de dados e inteligência artificial. Para a Daki, a IA não é apenas um complemento, mas o motor de uma cadeia logística desenhada nativamente para o ambiente online. A tecnologia deve atuar no controle em tempo real da operação, otimizando desde o inventário até a logística de última milha, garantindo que a promessa de rapidez seja cumprida com eficiência de custos.
Esta abordagem reflete uma mudança de paradigma no setor de delivery, onde a escala não é mais sustentada apenas pelo volume de entregas, mas pela precisão dos dados. Ao integrar IA no cerne da operação, a Daki busca resolver os gargalos logísticos que historicamente impediram a rentabilidade de modelos de entrega ultrarrápida, transformando a complexidade da gestão de itens frescos em uma vantagem competitiva técnica.
Desafios da expansão e concorrência
Embora a Daki planeje anunciar a entrada em novas regiões até o final do ano, a expansão geográfica impõe desafios operacionais significativos. A transição de uma operação concentrada em áreas metropolitanas de São Paulo e Belo Horizonte para outros estados exigirá uma adaptação cuidadosa da malha logística, mantendo a promessa de entrega rápida sem comprometer a margem alcançada com o breakeven.
O mercado, por sua vez, observa com cautela. A consolidação do setor de delivery de supermercados sugere que a sobrevivência dependerá da capacidade de cada player em equilibrar a expansão com a eficiência operacional. Para o iFood, o investimento na Daki reforça a estratégia de dominar diferentes verticais de consumo, integrando a conveniência do supermercado à sua base de usuários já consolidada.
O futuro do varejo ultrarrápido
A questão central que permanece é a velocidade com que a penetração digital no setor de supermercados pode crescer no Brasil. O sucesso da Daki dependerá da aceitação do consumidor em migrar suas compras recorrentes para o digital, um hábito que ainda enfrenta barreiras culturais e de preço. Acompanhar a evolução dessa penetração, aliada à eficácia da implementação de IA, será fundamental para entender o próximo ciclo do varejo alimentar no País.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · InfoMoney





