A Agência de Projetos de Pesquisa Avançada de Defesa (DARPA), braço de fomento à inovação do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, anunciou uma significativa redução em seu programa Quantum Benchmarking Initiative (QBI). Após selecionar 11 empresas para a Fase B em novembro passado, apenas quatro foram promovidas à Fase C, a etapa final e mais rigorosa do programa, que visa desenvolver um computador quântico de escala utilitária até 2033. As empresas selecionadas para avançar são Atom Computing, Diraq, IBM e IonQ. Elas se juntam à Microsoft e à PsiQuantum, que já haviam progredido para a Fase C em fevereiro de 2025 por meio de um processo paralelo. A decisão da DARPA representa um forte endosso para as abordagens dessas quatro companhias, que cobrem as principais modalidades de construção de qubits — a unidade fundamental de computação quântica: átomos neutros (Atom Computing), qubits de spin em semicondutores (Diraq), íons aprisionados (IonQ) e circuitos supercondutores (IBM).
Validação e Financiamento
A Fase C do QBI é projetada para verificar e validar se os conceitos desenvolvidos pelas empresas podem ser construídos e operados conforme o planejado. O avanço para esta etapa é crucial, pois cada empresa selecionada pode receber até US$ 300 milhões em financiamento governamental. Andrew Dzurak, CEO da Diraq, sediada na Austrália, destacou a importância da validação como um "avanço importante para nossos projetos e planos de construção em escala utilitária". Ele explicou que a Fase C "vai muito além do papel, demonstrando protótipos para gradualmente construir confiança no objetivo final". A Diraq, que utiliza processos de fabricação de semicondutores padrão, acredita que sua tecnologia de spin de silício, capaz de abrigar milhões de qubits em um único chip, reduz custos de infraestrutura e a posiciona favoravelmente para atingir a escala utilitária até 2031, dois anos antes do cronograma da DARPA.
Diversidade Tecnológica e Competição
O fato de as quatro empresas selecionadas representarem diferentes abordagens tecnológicas — átomos neutros, íons aprisionados, qubits de spin em silício e circuitos supercondutores — sublinha que ainda não há um consenso sobre qual modalidade prevalecerá na corrida quântica. Ben Bloom, CEO da Atom Computing, ressaltou que "a questão agora não é mais apenas se as peças individuais da tecnologia funcionam, mas se podemos juntá-las para construir o tipo de computador quântico que pode resolver problemas úteis em escala". A IBM, com um negócio quântico já estabelecido e vendas de máquinas on-premise para instituições acadêmicas e de pesquisa globais, vê a Fase C como uma "confirmação de um observador externo imparcial de que temos uma chance". Oliver Dial, VP de Sistemas Quânticos da IBM, reafirmou a confiança da empresa em sua abordagem supercondutora, embora reconheça o potencial a longo prazo dos qubits de spin em semicondutores, como demonstrado pela recente aquisição da HRL Laboratories pela IBM.
Implicações e Próximos Passos
A exclusão de outras empresas promissoras, como a Xanadu (especialista em fotônica quântica) e a Quantinuum, levanta questões sobre os critérios exatos de avaliação da DARPA e o futuro dessas companhias no programa. A DARPA indicou que outras empresas podem progredir para a Fase C no futuro próximo, sugerindo que a lista atual não é definitiva. A redução do número de participantes pode intensificar a competição entre os selecionados e acelerar o desenvolvimento, uma vez que o financiamento governamental se concentrará em um grupo menor. Para o ecossistema de computação quântica, essa seleção rigorosa valida a importância de programas de fomento público e privado para impulsionar a tecnologia em direção a aplicações práticas e comercialmente viáveis.
Perguntas em Aberto
Apesar do avanço das quatro empresas, o caminho para um computador quântico de escala utilitária ainda é repleto de desafios técnicos e de engenharia. A DARPA não detalhou os motivos específicos para a exclusão de certas empresas, deixando em aberto como os riscos e roteiros de pesquisa foram avaliados. A capacidade de escalar milhões de qubits, manter a coerência quântica e corrigir erros de forma eficaz permanecem obstáculos significativos. Observar como as empresas selecionadas utilizarão o financiamento e como a DARPA continuará a monitorar e validar o progresso será crucial para entender o futuro da computação quântica.
A DARPA, ao cortar seu programa quântico pela metade, sinaliza um foco estratégico em tecnologias quânticas com potencial de aplicação em larga escala e viabilidade comercial. A seleção de IBM, IonQ, Atom Computing e Diraq para a Fase C do QBI não apenas valida suas abordagens distintas, mas também direciona um investimento significativo para impulsionar a corrida rumo a um computador quântico de escala utilitária. O rigor do programa sugere que apenas as soluções mais promissoras e escaláveis avançam, definindo um novo patamar para o setor.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Fast Company





