O Studio Lievito, baseado em Florença, está ressignificando as sobras das famosas pedreiras de mármore de Carrara. O projeto Marmifere é uma coleção de mobiliário urbano modular que transforma o resíduo da extração em microarquiteturas para o espaço público. Inspiradas na histórica ferrovia que transportava o mármore dos Alpes Apuanos, as peças criam uma ponte entre a pedreira e a cidade. A proposta, segundo reportagem da Designboom, é um convite à interação, ao descanso e à brincadeira, reimaginando o uso de um material nobre.
Da Pedreira à Praça
O design parte do respeito pela origem do material. Um dos módulos reinterpreta os "Ravaneti", os montes de fragmentos de mármore descartados. Um lado da peça é côncavo, oferecendo um assento ergonômico que convida à contemplação. O lado oposto, intocado, funciona como uma pequena parede de escalada para crianças, com apoios de plástico reciclado. Essa dualidade transforma um bloco monolítico em um objeto multifuncional, que serve tanto ao descanso quanto à atividade lúdica.
Microarquitetura Lúdica
Outro módulo se inspira nos terraços geométricos da extração, criando diferentes níveis de assentos. O elemento mais interativo, contudo, é uma cavidade que atravessa o interior das peças. Quando os módulos são alinhados, formam pequenos túneis para as crianças explorarem. É uma homenagem à vanguarda do design radical italiano de Ugo La Pietra e do grupo Archizoom, que buscavam subverter a rigidez dos espaços urbanos. O Marmifere não é apenas um banco, mas um elemento escultural vivo.
Ao transformar a memória industrial em uma paisagem urbana interativa, o Studio Lievito oferece uma solução para o desperdício de materiais. O projeto demonstra como o design pode reconectar os cidadãos com a herança de um lugar, transformando o peso do mármore em um convite à leveza do encontro e da brincadeira.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Designboom





