A NearX, plataforma que se consolidou no mercado educacional de tecnologias emergentes, está executando um pivô estratégico: o modelo B2C, focado em cursos, dá lugar a uma operação exclusivamente B2B, centrada no desenvolvimento de projetos sob demanda para o mercado corporativo brasileiro.
O movimento representa uma maturação para a startup fundada em 2020. A tese inicial era capacitar desenvolvedores brasileiros para conectá-los a empresas estrangeiras, principalmente americanas. Agora, a companhia busca internalizar essa experiência e aplicá-la em contratos de maior valor agregado no Brasil, mirando setores como logística, finanças e agronegócio, segundo reportagem do portal Startups.
Da sala de aula ao projeto sob medida
A transição da NearX reflete uma mudança na proposta de valor. O modelo educacional permitiu à empresa construir uma rede de profissionais e uma reputação técnica em áreas como blockchain e tokenização. A nova fase busca capitalizar essa expertise, trocando a escala dos cursos individuais pela profundidade dos projetos customizados. Segundo o CEO Caio Mattos, a percepção sobre blockchain amadureceu, e grandes empresas já exploram a tecnologia para além do universo das criptomoedas.
Em vez de um catálogo de produtos, a NearX passa a operar como uma consultoria de alta especialização. O processo parte de uma prova de conceito (POC) para resolver uma dor específica do cliente, desenhando uma solução que pode envolver blockchain, inteligência artificial ou ferramentas de segurança digital. A precificação, por consequência, torna-se variável, baseada na complexidade e na mão de obra de cada projeto.
Crescimento com os pés no chão
O plano de crescimento é ambicioso, mas calculado. A projeção é saltar de um faturamento de R$ 2 milhões em 2024 para R$ 10 milhões em 2026. Contudo, a estrutura da equipe deve permanecer enxuta, com um aumento de apenas 10% no quadro de funcionários. A estratégia sugere um foco em contratos de alto valor que não demandam uma expansão massiva da operação, priorizando margem sobre volume.
Até o momento, a NearX operou sem capital externo, uma decisão deliberada para estruturar a companhia. Mattos sinaliza a intenção de buscar uma rodada de captação a partir do próximo ano, mas de forma “saudável, com governança e receita recorrente”. A participação em um programa de aceleração da Animoca Brands, gigante de Hong Kong focada em blockchain, conferiu à startup a exposição internacional que agora serve como credencial para atrair clientes no mercado doméstico.
A aposta da NearX é que sua experiência acumulada no mercado global de blockchain seja o diferencial para conquistar um espaço nobre no cenário corporativo brasileiro. O desafio será converter o legado educacional em um pipeline consistente de projetos B2B, provando que a sofisticação tecnológica pode gerar resultados concretos para a economia real.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Startups





