A promessa era clara: independência. Na casa dos 20 anos, a autora mergulhou de cabeça na cultura "girlboss", acreditando que trabalhar incansavelmente e acumular riqueza seriam os pilares de uma vida autônoma e bem-sucedida. A graduação em três anos, seguida por um mestrado em direito com semanas de 70 horas de trabalho, eram marcos de uma trajetória ambiciosa. Finais de semana e horários de almoço eram frequentemente consumidos pelo trabalho, uma mentalidade espelhada nos pais, que parecia funcionar para eles. No entanto, para a autora, essa fórmula começou a ruir. A identidade se fundiu com o rótulo de "trabalhadora árdua" e "responsável", a ponto de otimizar cada minuto do dia, inclusive em detrimento da própria saúde e lazer.

O Preço da Exaustão

A exaustão, percebida como um subproduto inevitável da ambição, tornou-se a norma. A autora se via incapaz de desfrutar do dinheiro que tanto lutava para ganhar, frequentemente cansada demais para sequer aproveitar um dia de folga ou realizar atividades simples, como uma ligação de 15 minutos a uma amiga. Dois episódios marcantes serviram como sinais de alerta: a impossibilidade de atender a um pedido rápido de uma amiga por falta de tempo para uma pausa de almoço, e a dificuldade em levantar uma mala de viagem após meses sem praticar exercícios. Esses momentos evidenciaram que o estilo de vida adotado não era sustentável, e que a recuperação do burnout não seria suficiente, pois o ciclo de exaustão provavelmente continuaria.

Reavaliando a Ambição

Experiências em Camarões e Costa Rica, onde o equilíbrio entre vida pessoal e profissional é mais valorizado, trouxeram uma nova perspectiva. Ao retornar para os Estados Unidos, a autora decidiu questionar seus próprios valores. Em 2022, em meio ao fim de um relacionamento e à flexibilização das restrições da pandemia, ela optou por viajar, trabalhando poucas horas semanais. Sem a pressão de uma carreira tradicional ou a necessidade de provar seu valor através de conquistas constantes, percebeu que nenhuma meta profissional ou pessoal justificava a renúncia a momentos simples e significativos, como um café da manhã consigo mesma ou um passeio no parque.

Um Novo Modelo de Sucesso

Quatro anos depois, a vida da autora é radicalmente diferente. Ela trabalha menos, dedicando-se à escrita e pesquisa para empresas alinhadas aos seus valores, e vive viajando pelo mundo. A ausência de um carro ou casa própria e o abandono da escalada corporativa tradicional deram lugar a mais tempo para cozinhar, cultivar relacionamentos e simplesmente viver. A convicção na independência financeira feminina permaneceu, mas o foco mudou: em vez de incentivar colegas a sacrificar pausas, a conversa agora gira em torno de investimentos éticos e da importância de ter contas bancárias próprias. A independência, afinal, significava algo mais profundo: a liberdade de não precisar provar constantemente seu valor.

O Futuro do Equilíbrio

A jornada da autora ilustra uma tendência crescente: a redefinição do sucesso profissional, especialmente para mulheres. A cultura "girlboss", com sua ênfase na produtividade incessante e na exaustão como prova de valor, mostra-se cada vez mais insustentável e, para muitos, indesejável. A busca por um equilíbrio que integre ambição com bem-estar pessoal e qualidade de vida emerge como um novo paradigma. A questão que permanece é como a sociedade e o mercado de trabalho irão se adaptar a essa demanda por um modelo mais humano e sustentável de carreira, onde o sucesso não seja medido apenas por conquistas, mas também pela plenitude da vida.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Business Insider