Na periferia do salão principal da Penny Arcade Expo, em Seattle, entre estandes de jogos raros, roupas de grife e caixas de mercadorias temáticas, uma presença destoa: a do governo. Ali, visitantes podiam encontrar Steve Hobbs, o Secretário de Estado de Washington, e girar uma roleta de prêmios para ganhar broches, lanches e até dados de 20 lados customizados com o mascote oficial do gabinete.
A cena, a princípio, parece uma ação de engajamento cívico, um esforço para alcançar um eleitorado jovem e diverso. E, em parte, é. Mas por trás da fachada lúdica, esconde-se uma sofisticada operação de diplomacia comercial, um papel que Hobbs abraçou com afinco.
Diplomacia em duas frentes
A pergunta que muitos se fizeram, segundo reportagem do GeekWire, era óbvia: o que um político de alto escalão faz em uma convenção de cultura pop? “É uma atuação em duas frentes”, explicou Hobbs. A primeira é a cívica: lembrar os jovens, público majoritário do evento, de se registrarem e votarem. A segunda, no entanto, é mais estratégica: atuar como um emissário comercial para a próspera indústria de jogos de tabuleiro do estado.
Washington é um dos maiores, senão o maior, polo de design de jogos de tabuleiro e de cartas dos Estados Unidos. É o lar de gigantes como a Wizards of the Coast, mas também de inúmeros criadores independentes. O gabinete de Hobbs estimou que o setor representa uma indústria de US$ 2 bilhões no estado. Por lei, o Secretário de Estado é encarregado de desenvolver programas que promovam laços comerciais e culturais, e Hobbs encontrou nos jogos de tabuleiro um veículo inesperado e eficaz.
Do tabuleiro ao mercado global
A missão comercial de Hobbs é concreta. Seu gabinete organiza eventos que conectam desenvolvedores locais com grandes editoras do Japão, Alemanha e Polônia. A ajuda vai desde subsidiar o custo de estandes em feiras internacionais, como a Game Market em Tóquio, até usar as conexões do Departamento de Estado americano para agendar reuniões de negócios para os criadores.
O sucesso da iniciativa pode ser medido em casos como o da Lethal Shadows, uma empresa de miniaturas que, após uma parceria facilitada com uma companhia lituana, expandiu de uma garagem para um galpão e começou a contratar. Curiosamente, Hobbs admite que a investida ainda não alcançou a indústria de videogames, muito maior, por “falta de capacidade”. A abordagem, por ora, é de “pequenos passos”.
A imagem de um secretário de estado mediando acordos para criadores de jogos de tabuleiro, entre uma campanha de registro eleitoral e outra, desenha um novo contorno para a diplomacia cultural. Um onde o poder público não apenas regula ou fiscaliza, mas ativamente cultiva e exporta as paixões e a criatividade de sua gente.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · GeekWire





