Dee Poku, fundadora e CEO da The Wie Suite, uma rede global de executivas, construiu sua carreira observando e decifrando os códigos de vestimenta. Filha de imigrantes ganeses, sua infância em Londres foi marcada pela tentativa de entender as nuances sociais refletidas na moda, uma habilidade que se tornou uma vantagem estratégica em sua trajetória profissional. Essa observação aguçada, combinada com o abraço de sua própria herança cultural, deu origem a um estilo único.
O vibrante legado estético da África Ocidental, presente nas roupas coloridas e sob medida de sua mãe e tias, tecidas com o tradicional tecido kente, influenciou profundamente Poku. Ao ingressar no mundo corporativo, onde eventualmente liderou marketing internacional na Paramount Pictures, seu olhar apurado para a moda se traduziu em uma forma de projeção de poder. Ela relata um momento marcante em uma reunião em Bruxelas, onde, sentindo-se deslocada em um ambiente onde poucas pessoas se pareciam com ela, seu traje – um terninho impecável, saltos altos e um batom vermelho ousado – funcionou como uma verdadeira armadura, transmitindo autoridade imediata.
A Moda como Estratégia de Poder
Poku entende a moda não apenas como estética, mas como uma ferramenta de comunicação não verbal. Sua abordagem, que mistura a sobriedade corporativa com a ousadia de cores vibrantes como amarelo mostarda e vermelho intenso, reflete sua confiança e sua origem. "Eu queria entrar na sala e que eles vissem uma figura de autoridade", explica. "A maneira mais rápida e fácil de fazer isso era com o que eu vestia." Essa percepção a levou a cultivar um guarda-roupa que, embora formal, carrega sua identidade pessoal, especialmente em espaços onde mulheres de cor historicamente enfrentaram barreiras para serem reconhecidas como líderes.
Evolução do Estilo e a Rejeição ao Casual
Com a ascensão de códigos de vestimenta corporativa mais casuais, Poku percebeu que a informalidade não ressoava com sua necessidade de projetar força. Em vez de aderir à tendência, ela solidificou um uniforme de peças essenciais, porém elevadas: saias longas de denim combinadas com saltos, culotes na altura do joelho e blazers bem cortados sobre calças de alfaiataria. Essa escolha deliberada de manter um nível de formalidade em um mundo cada vez mais relaxado é uma afirmação de sua presença e autoridade, desafiando a noção de que a casualidade é sinônimo de modernidade ou eficiência.
Conselhos de Estilo e Marcas de Referência
O melhor conselho de moda que Poku recebeu foi não seguir tendências, mas sim conhecer a si mesma e o que se adequa ao seu corpo. Para ela, investir em um bom blazer é fundamental para qualquer profissional, pois eleva instantaneamente a apresentação. Ela admira designers de Nova York como Rachel Comey, Ulla Johnson e Mara Hoffman, além de marcas mais recentes com foco em alfaiataria como TWP e Tibi para peças versáteis. Sua filosofia de compras se baseia no "high-low styling", misturando peças de alta alfaiataria com achados mais acessíveis ou vintage para criar um visual autêntico e pessoal. Charlize Theron é sua inspiração de estilo, admirada pela sofisticação e polimento que emana.
O Legado da Herança e a Projeção de Identidade
Para Poku, a moda é uma ponte entre sua identidade e o ambiente em que atua. A forma como ela se veste é uma manifestação de sua história, combinando a elegância clássica com um toque feminino e a audácia de suas raízes ganesas. Sua estratégia de estilo, focada em peças versáteis e atemporais, permite que ela se vista rapidamente – em 10 minutos – e se sinta preparada para qualquer desafio. A longa saia de denim, peça que ela jamais se desfaria, simboliza essa versatilidade e a capacidade de transitar entre diferentes contextos com confiança e estilo. A moda, em suas mãos, transcende a aparência e se torna um ato consciente de autoafirmação e liderança.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Fast Company Design





