O CESAR, um dos pilares do Porto Digital em Recife, foi confirmado como um dos centros operacionais do Exercício Guardião Cibernético 2026, a maior simulação de defesa cibernética do Hemisfério Sul. A iniciativa é coordenada pelo Comando de Defesa Cibernética do Exército Brasileiro e representa um passo fundamental na integração entre as Forças Armadas e o ecossistema de inovação do país.

A escolha não é meramente logística. Ao trazer um dos principais exercícios de soberania digital para dentro de um centro de tecnologia civil, o Exército sinaliza uma mudança de paradigma: a defesa das infraestruturas críticas do Brasil — energia, finanças, telecomunicações — depende cada vez mais da colaboração com a academia e o setor privado. A decisão coloca a expertise pernambucana no centro da estratégia de segurança nacional.

A soberania em código

O Guardião Cibernético simula ataques em larga escala para testar a capacidade de resposta de cerca de 240 organizações. A escolha do CESAR como hub regional, segundo o General Jacy Barbosa Junior, Comandante Cibernético, foi um movimento “natural” para aproximar as Forças Armadas da indústria no Nordeste. O ponto central dessa aliança é o CISSA, o Centro de Competência em Segurança Cibernética operado pelo CESAR e único do tipo credenciado pela Embrapii no país.

O credenciamento posiciona o CISSA como um polo de pesquisa de ponta, conectando-o a parceiros estratégicos como o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e a Agência Brasileira de Inteligência (ABIN). Para as Forças Armadas, a parceria oferece acesso direto a conhecimento especializado e talentos. Para o ecossistema de tecnologia, representa a oportunidade de aplicar pesquisa em cenários de alta complexidade, alinhados às necessidades de defesa do país.

A descentralização do exercício, com hubs em diversas capitais, demonstra uma compreensão de que as ameaças digitais são distribuídas e exigem uma resposta capilar. A estratégia reconhece que a proteção de ativos críticos, majoritariamente operados pelo setor privado, é uma responsabilidade compartilhada. A colaboração entre a capacidade de coordenação militar e a agilidade científica de centros como o CESAR torna-se, assim, um modelo para o futuro da defesa. Em um cenário onde os ataques se tornam mais frequentes e sofisticados, a fronteira entre o laboratório de pesquisa e o campo de batalha digital deixa de existir.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · TIInside