O desaparecimento do desembargador Alcides Martins Ribeiro Filho, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), já soma mais de duas semanas sem respostas concretas sobre seu paradeiro. O magistrado foi visto pela última vez no dia 14 de abril, após realizar um saque de R$ 1 mil e seguir de táxi em direção à Vista Chinesa, um conhecido mirante na Floresta da Tijuca, no Rio de Janeiro.

A notificação oficial do sumiço às autoridades policiais ocorreu em 27 de abril, quase duas semanas após o último registro do desembargador. O caso, sob responsabilidade da Delegacia de Descoberta de Paradeiros (DDPA), corre sob sigilo, o que limita a divulgação de detalhes sobre as linhas de investigação.

A mobilização do TRF-2

Nos bastidores do Judiciário, o episódio é tratado com extrema seriedade. A área de segurança institucional do TRF-2 mantém contato com a Polícia Civil para acompanhar o andamento das apurações. Em nota, o tribunal informou que monitora o progresso das diligências e afirma prestar apoio à família de Ribeiro Filho. A interlocução busca garantir fluxo adequado de informações, embora, até o momento, não haja avanços públicos que esclareçam a lacuna de tempo entre o desaparecimento e a notificação oficial.

O desafio da investigação policial

A DDPA enfrenta o desafio de rastrear os passos de uma figura pública em uma área de mata densa e de difícil monitoramento, como a região da Vista Chinesa. A ausência de novas informações desde 14 de abril mantém abertas questões sobre a dinâmica da investigação e a extensão das buscas realizadas até agora.

O sigilo imposto ao processo é comum em casos de desaparecimento e visa proteger a integridade da apuração, mas aumenta a expectativa em torno do que tem sido levantado. Sem divulgação de diligências específicas ou de eventuais evidências coletadas, a incerteza persiste entre colegas de toga e afeta a rotina do tribunal.

Implicações para a segurança institucional

O caso expõe a vulnerabilidade de membros do alto escalão do Judiciário em grandes centros urbanos. A segurança de desembargadores, muitas vezes envolvidos em processos de alta complexidade e impacto social, volta ao centro do debate, exigindo dos tribunais um equilíbrio entre a liberdade individual dos magistrados e a proteção necessária ao exercício de suas funções.

A demora na comunicação do desaparecimento também reacende discussões sobre protocolos de segurança pessoal para magistrados. O monitoramento contínuo entre o tribunal e a polícia reforça a necessidade de uma resposta rápida e coordenada para situações fora do padrão, especialmente em um contexto de desafios persistentes na segurança pública.

Perguntas sem respostas

Segue em aberto o motivo da lacuna de quase duas semanas até o registro oficial do desaparecimento, ponto que deve integrar as frentes de apuração da DDPA. A cronologia dos fatos, do saque bancário ao trajeto final, é o eixo central a ser reconstruído pelas autoridades.

O avanço das investigações depende agora da capacidade de mapear, com precisão, os últimos movimentos do magistrado. O desfecho do caso será acompanhado de perto não apenas pela magistratura fluminense, mas também por todo o ecossistema jurídico atento a uma situação atípica e preocupante.

Com reportagem de InfoMoney.

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