A taxa de desemprego no Chile atingiu 9,8% no terceiro trimestre de 2026, um aumento de duas décimas em relação ao período anterior (junho a agosto) e de 1,3 ponto percentual em comparação anual. Este cenário marca um retorno a níveis de desocupação observados em meados de 2021, sinalizando um desafio persistente na dinâmica do mercado de trabalho chileno. Segundo o Instituto Nacional de Estatísticas (INE) do país, o avanço interanual do desemprego foi impulsionado por um crescimento de 0,3% na força de trabalho, que não foi suficiente para compensar a retração de 1,1% no número de pessoas ocupadas.

Contexto do Aumento

O aumento dos desocupados foi de 15,3% no total, com destaque para um crescimento de 14,4% entre aqueles que estavam em busca de recolocação após um emprego anterior e um expressivo aumento de 24,7% entre os que procuravam trabalho pela primeira vez. Essa disparidade sugere que, além da dificuldade em reabsorver trabalhadores que perderam seus postos, o mercado chileno também enfrenta desafios em integrar novos entrantes. As taxas de participação e ocupação, indicadores cruciais da saúde do mercado de trabalho, apresentaram quedas: a participação laboral recuou três décimas, para 61,6%, e a taxa de ocupação caiu 1,1 ponto percentual, para 55,5%. Essa combinação de fatores aponta para um cenário onde a oferta de trabalho não está sendo plenamente absorvida pela demanda.

Implicações Econômicas e Sociais

A taxa de desemprego feminina situou-se em 10,5%, enquanto para os homens foi de 9,3%, evidenciando uma disparidade de gênero que, embora presente, parece ter se acentuado em termos relativos com o aumento geral. A redução de 2,2% no total de horas efetivamente trabalhadas nos últimos doze meses, em linha com uma diminuição de 1,1% na média da jornada laboral (agora em 36 horas), reforça a ideia de uma atividade econômica mais lenta e, possivelmente, a precarização de algumas jornadas. Esse cenário pode ter implicações significativas no poder de compra das famílias, na arrecadação fiscal e no bem-estar social, exigindo atenção de políticas públicas.

Perspectivas e Desafios

O retorno a patamares de desemprego de meados de 2021 levanta questões sobre a sustentabilidade da recuperação econômica chilena. A questão central agora é se este aumento é um reflexo de desaceleração global, de ajustes setoriais específicos ou de gargalos estruturais no mercado de trabalho. A capacidade do Chile de reverter essa tendência dependerá de fatores como o desempenho de setores chave, a eficácia de políticas de incentivo à contratação e a absorção de novos trabalhadores, especialmente os jovens. A análise detalhada dos dados por setor e região será fundamental para direcionar futuras intervenções.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España