O Upstairs at Hausu, localizado no bairro de Peckham, no sul de Londres, apresenta uma abordagem imersiva ao design de espaços dedicados à música. Segundo a Dezeen, o interior foi projetado pela artista Eva Gold e ocupa o pavimento acima do restaurante homônimo, funcionando como uma extensão que conecta gastronomia e uma curadoria sonora centrada em vinis de jazz, soul e música eletrônica. A proposta prioriza a penumbra e a segmentação espacial para intensificar a experiência auditiva.

Referências cinematográficas e modernistas

A estética do projeto articula duas matrizes que se complementam. De um lado, a referência ao icônico “Quarto Vermelho” de Twin Peaks, série de David Lynch marcada pelo uso expressivo de cortinas e um clima onírico. De outro, a inspiração na instalação “The Velvet and Silk Cafe” (1927), concebida por Lilly Reich e Mies van der Rohe, em que tecidos atuavam como divisórias curvas para organizar o espaço. No bar londrino, essas referências são reinterpretadas para criar um ambiente de mistério e desejo.

O papel das cortinas na arquitetura

O elemento central do projeto são as cortinas, que operam como filtros visuais e definidores de volume. Tecidos de lã em tom chocolate percorrem a periferia do salão e dialogam com a pintura marrom escura na metade inferior das paredes. Cortinas de voile, mais leves e translúcidas, foram dispostas entre as mesas para permitir configurações flexíveis: nichos mais reservados ou áreas mais abertas para grupos, preservando a atmosfera de intimidade proposta por Gold.

Dinâmica sonora e iluminação

A experiência sonora é tratada com rigor, com um sistema distribuído pelo espaço para manter a música como fio condutor sem sobrepor a conversa. A iluminação, baseada em lanternas de papel suspensas, evita focos diretos e sustenta a leitura minimalista do interior, que inclui plantas e estantes metálicas destinadas à exposição de capas de discos de vinil.

Tendências de atmosfera e hospitalidade

A abertura do Upstairs at Hausu se insere em uma tendência mais ampla de interiores “atmosféricos” em bares e casas de escuta, em que têxteis, luz baixa e layouts modulares buscam favorecer tanto a contemplação musical quanto o convívio. Essa abordagem, que joga com ocultação e revelação por meio de tecidos, também suscita questões práticas de manutenção e durabilidade — aspectos que ajudarão a definir a recepção do público e a longevidade do conceito.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Dezeen