A exposição "Designed to Be Red: Native American & Indigenous Poster Works", em cartaz na Poster House em Nova York até fevereiro de 2027, emerge como um marco na recontextualização da história do design. Curada por Brian Johnson, membro da Monacan Indian Nation, a mostra propõe uma revisão profunda sobre a contribuição dos povos originários para a arte visual, desafiando narrativas coloniais que historicamente relegaram essas produções a um nicho de artesanato ou objeto etnográfico. A iniciativa busca responder à demanda por referências e inspiração entre estudantes e jovens designers indígenas, apresentando um legado visual que abrange mais de um século.
Johnson, que também é autor de um texto complementar expandido sobre o tema, ressalta a necessidade de afirmar a presença e a agência dos designers indígenas no cenário contemporâneo. "Até recentemente, éramos vistos principalmente como artesãos e objetos etnográficos", afirma Johnson. "Esta mostra se destaca porque os nativos americanos ainda estão aqui. Nós estamos projetando." A exposição reúne trabalhos que vão desde cartazes psicodélicos e arte de protesto até anúncios de serviço público, demonstrando como essas perspectivas sempre foram parte integrante da prática do design, influenciando a maneira como o mundo é percebido.
Legado e Resistência Visual
A exposição "Designed to Be Red" não se limita a apresentar obras de arte; ela oferece um registro multifacetado da vida contemporânea nativa americana. Inclui desde a Proclamação da Ocupação Indígena de Alcatraz, em um pedaço de pele esticada, até cartazes de protestos contra o Dakota Access Pipeline e materiais de conscientização sobre mulheres indígenas assassinadas e desaparecidas. A curadoria de Johnson busca equilibrar a narrativa, mostrando que a vida indígena não é definida apenas pela luta. Há também peças que celebram a alegria, como uma campanha de censo dos anos 1990 e tributos à cultura pop, evidenciando a vitalidade e a diversidade das expressões culturais dos povos originários.
Desafiando o Olhar Colonial
A estrutura da exposição, dividida em cinco seções – "Indigenous Joy", "Creative Sovereignty", "Resistance and Protest", "It’s Complicated" e "Extractive Marketing" – convida o público a uma jornada reflexiva. A seção "Extractive Marketing", que aborda o uso problemático de imagens de indígenas em publicidade, é deliberadamente isolada e direcionada de volta para "Indigenous Joy", reforçando a mensagem de que a representação positiva e autêntica é o foco principal. Essa abordagem visa explicitamente combater o que Johnson descreve como "o passado como arma, empregada para nos relegar a dioramas de museu". A curadoria se distingue por sua abordagem rigorosamente moderna, contrastando com exposições mais tradicionais de trabalhos indígenas em grandes instituições.
Impacto e Influência Contínua
O impacto dos designers indígenas na cultura visual é inegável e se estende por mais de um século. Artistas como Kent Monkman (Fish River Cree Nation), Jeffrey Gibson (Mississippi Choctaw/Cherokee) e SIYO-WIN (Dakota Sioux/Mexican) são exemplos de como essa influência persiste, moldando a estética contemporânea. A exposição destaca a importância de reconhecer essas contribuições não apenas como expressões culturais, mas como elementos fundamentais na evolução do design gráfico global. Ao apresentar um panorama tão abrangente, "Designed to Be Red" não apenas celebra a arte, mas também reivindica um espaço central para as vozes e visões indígenas na narrativa histórica e contemporânea do design.
O Futuro da Representação
A exposição "Designed to Be Red" abre um diálogo crucial sobre representatividade e a necessidade de desafiar representações estereotipadas. Ao dar protagonismo a designers indígenas e suas obras, a Poster House e Brian Johnson oferecem uma plataforma vital para a afirmação da identidade e da soberania criativa. A mostra serve como um lembrete poderoso de que a cultura visual indígena é vibrante, dinâmica e essencial para uma compreensão mais completa e justa do panorama artístico e de design global. O que permanece é a necessidade de continuar amplificando essas vozes e garantindo que sua influência seja plenamente reconhecida e valorizada.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Hyperallergic





