Um deslizamento de rocha massivo no fiorde Tracy Arm, no Alasca, desencadeou um megatsunami de 481 metros de altura em 10 de agosto de 2025. O evento foi provocado pelo colapso de uma encosta que perdeu sustentação devido ao afinamento acelerado da geleira South Sawyer, um processo diretamente ligado ao aquecimento global na região.
Segundo reportagem do Olhar Digital, o impacto dos 63,5 milhões de metros cúbicos de rocha contra a água gerou uma onda inicial de 100 metros. A energia liberada foi comparável a um terremoto de magnitude 5,4, marcando este como o segundo maior tsunami já registrado, superando apenas o evento de 1958 na Baía de Lituya.
A instabilidade estrutural das encostas
O fenômeno ilustra a fragilidade geológica de áreas onde o gelo, por décadas, serviu como suporte físico para as encostas. Entre 2013 e 2022, a geleira South Sawyer perdeu até 130 metros de espessura, deixando rochas expostas sem a estabilidade necessária para resistir às variações climáticas. A leitura aqui é que o aquecimento das temperaturas de verão, que subiram 1,1°C na região desde 1875, acelerou a desintegração dessas estruturas.
Sismômetros instalados na área detectaram sinais de alerta dias antes do colapso. A partir de 5 de agosto, microterremotos começaram a ser registrados, com a frequência desses sinais aumentando drasticamente nas horas que antecederam o deslizamento. Esse padrão de “moagem” contínua da rocha sugere que a falha catastrófica foi precedida por um processo de deformação mensurável, embora ainda difícil de prever com precisão absoluta.
Dinâmicas de risco e o setor de turismo
O risco imposto por esses eventos é amplificado pela intensa atividade turística no Alasca. A região do fiorde recebe até seis navios de cruzeiro diariamente, transportando milhares de passageiros que, muitas vezes, desconhecem a vulnerabilidade geológica das encostas ao redor. O fato de não ter havido vítimas é tratado por pesquisadores como um desfecho de sorte, dado o volume de tráfego marítimo no local.
A preocupação central para as autoridades e operadores de turismo é a repetição desse cenário em outras partes do globo. Áreas na Noruega, Groenlândia, Nova Zelândia e Canadá compartilham características geológicas semelhantes, onde o recuo glacial expõe encostas instáveis. A pressão sobre essas regiões aumenta à medida que o turismo de exploração busca destinos remotos, elevando a exposição de passageiros a perigos naturais de difícil mitigação.
Desafios para a gestão de desastres
Cientistas agora focam no desenvolvimento de sistemas de alerta precoce baseados na sismologia. A capacidade de identificar os sinais de “moagem” rochosa antes do colapso final é vista como a melhor via para evitar tragédias em larga escala. Contudo, a instalação e manutenção desses sensores em locais de difícil acesso representam um desafio técnico e financeiro considerável para governos locais.
A incerteza permanece sobre qual será a frequência desses eventos à medida que as geleiras continuam a recuar. O monitoramento contínuo das encostas e a revisão das rotas de navegação em fiordes podem se tornar exigências regulatórias inevitáveis. Observar como a indústria de cruzeiros reagirá à necessidade de protocolos de segurança mais rigorosos em áreas de risco geológico será determinante para o futuro do turismo na região.
O episódio serve como um lembrete da interconexão entre as mudanças climáticas globais e a estabilidade física de ecossistemas locais. A transformação da paisagem alpina, antes considerada imutável, impõe uma nova realidade para a gestão de riscos em ambientes naturais.
Com reportagem de Olhar Digital
Source · Olhar Digital





