Um tesouro de 934 denários romanos de prata foi descoberto por um arqueólogo amador com um detector de metais em um campo em Wesseling, Alemanha. As moedas datam da época do imperador romano Adriano. Quando seu detector de metais não parava de apitar no ano passado, Oliver Riedl chamou as autoridades e um grupo de especialistas começou a escavar imediatamente para descobrir a maior coleção de moedas desse período no país, segundo o escritório de arqueologia local. Os quase 3kg de prata foram provavelmente enterrados deliberadamente na segunda metade do segundo século EC, de acordo com o Escritório LVR para a Preservação de Monumentos Arqueológicos na Renânia.
O valor de descobertas amadoras
A descoberta de Oliver Riedl, um arqueólogo amador, sublinha a contribuição vital que entusiastas com equipamentos como detectores de metais podem oferecer à arqueologia. Embora a escavação e a análise detalhada exijam expertise profissional, o papel do amador em localizar sítios e artefatos é inestimável. Esses achados, muitas vezes acidentais, preenchem lacunas em nosso conhecimento histórico, revelando aspectos cotidianos da vida em civilizações antigas que registros escritos podem não capturar completamente. A grande quantidade de moedas de prata sugere que a descoberta não é apenas um achado de valor material, mas uma janela para a economia e a sociedade romana.
Economia e segurança na Roma Antiga
“Claro, só podemos especular sobre os motivos, mas é muito provável que alguém quisesse manter esse dinheiro seguro. Afinal, bancos não existiam naquela época”, disse Erich Classen, arqueólogo estadual e diretor do escritório, ao ABC News. Embora ainda não esteja claro por que o tesouro nunca foi recuperado, Classen acrescentou: “Talvez o proprietário tenha morrido antes que isso pudesse acontecer, sem conseguir passar o conhecimento sobre as moedas adiante.” Também não está claro quem enterrou o tesouro. “Naquela época, um soldado comum na legião ganhava 300 denários por ano”, explicou Rahel Otte, pesquisadora associada do escritório de arqueologia. “No entanto, cerca de metade disso era retido para alimentação e equipamento. Um legionário, portanto, teria que economizar toda a sua renda disponível por cerca de seis anos para acumular o tesouro de Wesseling.”
Contexto histórico e territorial
Entre 39 a.C. e 459 d.C., sob o comando do General Marcus Vipsanius Agrippa, os romanos expandiram a fronteira do império ao longo do rio Reno, onde estabeleceram um posto militar que mais tarde se tornou Colonia Agrippina, a atual Colônia. A região do Reno era, portanto, uma área de significativa presença militar e administrativa romana. O enterro de moedas, como o tesouro de Wesseling, era uma prática comum em tempos antigos, servindo como uma forma de poupança ou para proteger bens em tempos de incerteza. A localização e a datação das moedas fornecem pistas sobre a atividade romana na área e os fluxos econômicos da época.
O tesouro em exibição
O tesouro recém-descoberto está agora em exibição pública no LVR-LandesMuseum Bonn, permitindo que o público em geral aprecie essa importante peça da história romana. A exposição não apenas destaca o valor arqueológico e histórico das moedas, mas também serve como um lembrete do papel contínuo que a arqueologia, tanto profissional quanto amadora, desempenha na desvenda do passado. A história por trás do tesouro de Wesseling, desde o detectorista amador até a análise dos especialistas, é um testemunho da persistência do passado e da curiosidade humana em descobri-lo.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · ARTnews





