Na Espanha, o debate sobre o uso de dinheiro vivo para o pagamento de aluguéis ganhou força. Para muitos, a prática de usar um envelope com dinheiro, agora restrita por lei no país, não é apenas um método de pagamento, mas um ritual de controle financeiro. Javier Rupérez, presidente da Denaria, entidade espanhola que congrega defensores do dinheiro em espécie, lidera a campanha contra a obrigatoriedade de pagamentos eletrônicos para aluguéis, um movimento que, segundo ele, cria barreiras invisíveis.

A legislação espanhola atual, que exige o uso de meios eletrônicos para transações de aluguel desde 2023, prevê exceções para quem não possui conta bancária ou acesso a essas ferramentas. No entanto, a Denaria considera essa permissão insuficiente. A associação argumenta que a obrigatoriedade eletrônica opera como um filtro de solvência implícito na seleção de inquilinos, excluindo aqueles com menor acesso a serviços bancários ou que preferem gerenciar suas finanças de forma mais tangível. A entidade lamenta que essa imposição possa privar famílias de um instrumento eficaz para o acompanhamento de seus gastos mensais.

Para a Denaria, a justificativa fiscal para a proibição do dinheiro em espécie no pagamento de aluguéis é falha. Rupérez argumenta que a informação crucial para a administração pública reside na existência e no valor do contrato de locação, e não no método específico utilizado para a transferência mensal dos fundos. A associação sugere que o foco em meios eletrônicos não adiciona valor significativo ao controle fiscal, uma vez que os contratos já são formalizados e declarados. A transição para um sistema puramente digital, na visão da entidade, pode gerar exclusão e dificultar a vida de quem ainda se beneficia da simplicidade e tangibilidade do dinheiro vivo.

O debate impulsionado pela Denaria na Espanha ecoa uma discussão global sobre o futuro do dinheiro. Enquanto a digitalização avança, prometendo eficiência e segurança, o temor de deixar para trás uma parcela da população é real. A questão que paira no ar é se, em nome da modernização, as nações estão construindo uma transição digital justa e inclusiva, ou se estão, inadvertidamente, erguendo novas barreiras para aqueles que mais precisam de ferramentas acessíveis para gerenciar suas vidas financeiras. A simplicidade de contar notas e moedas, para muitos, ainda representa um pilar de autonomia e controle em meio a um mundo cada vez mais abstrato e digitalizado.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España