A gestão de instituições culturais está passando por uma transformação significativa, afastando-se do modelo do diretor como um gênio visionário e solitário para abraçar um papel mais colaborativo e criativo, comparável ao de um jardineiro. Essa mudança é evidenciada pela reabertura do Chazen Museum of Art na University of Wisconsin–Madison (UW–Madison), que apresenta uma abordagem inovadora centrada nos objetos e uma nova filosofia de liderança. A experiência de reabilitar mais de 25.000 obras revelou que as competências exigidas para a direção de museus mudaram drasticamente.
Em 2021, a ideia de que um diretor único deveria traçar o curso para todos foi questionada. Atualmente, a compreensão evoluiu para uma liderança que combina perspicácia gerencial com criatividade. O que antes eram vistos como opostos — liderança visionária e gerencial — agora se fundem. A administração de um museu deve ser, ao mesmo tempo, gerencial e criativa, fomentando um ambiente propício ao surgimento de novas possibilidades e ideias. A gestão de coleções, por exemplo, deixa de ser um ato de imposição para se tornar um processo de cultivo.
A reinstalação da coleção do Chazen Museum é um exemplo prático dessa nova filosofia. O processo foi marcado pela colaboração entre equipes, pela experimentação com diferentes abordagens, pela aceitação de falhas como parte do aprendizado e pela construção de confiança mútua. Esses elementos são intrínsecos ao valor central da UW–Madison: o "sifting and winnowing" (peneirar e separar), um conceito que remonta a 1894 e que prega a busca incessante e destemida pela verdade. Essa metáfora, embora poética, descreve o trabalho árduo de separar o útil do supérfluo, uma tarefa que exige dedicação e um olhar atento para o que realmente importa.
O "sifting and winnowing" é uma imagem poderosa do trabalho necessário para a gestão de coleções e instituições. Assim como um jardineiro seleciona as sementes mais promissoras, cuida do solo e poda o que não serve, o líder de museu moderno deve cultivar um ambiente onde a criatividade possa florescer. Isso implica em dar espaço para a experimentação, mesmo que resulte em falhas, e em confiar na capacidade da equipe para inovar. A liderança como jardinagem é, portanto, um ato de nutrição e curadoria, focado em criar as condições ideais para o crescimento e a renovação contínua da instituição e de seu acervo.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Hyperallergic





