A crise de custo de vida nos Estados Unidos, um dos temas mais quentes na política americana, pode ter uma solução surpreendente: o controle da dívida nacional. Um novo estudo do Committee for a Responsible Federal Budget (CRFB) sugere que a redução do déficit fiscal é a chave para aliviar a pressão sobre a renda das famílias e auxiliar o Federal Reserve no combate à inflação. O relatório, divulgado em meio a debates pré-eleitorais, destaca que a economia e a capacidade de arcar com os custos básicos são as principais preocupações dos eleitores.

A análise da CRFB argumenta que a disciplina fiscal, ao reduzir a demanda excessiva na economia, pode desacelerar o crescimento dos preços. Além disso, a redução do déficit poderia mitigar o efeito de "crowding out", que ocorre quando o endividamento público compete com o investimento privado, limitando o crescimento. A expectativa é que, ao diminuir a probabilidade de que futuros governos tentem desvalorizar a dívida através da inflação, as expectativas inflacionárias se estabilizem.

O estudo detalha o potencial impacto financeiro para os americanos. Segundo a CRFB, uma redução de 1,5 ponto percentual nas taxas de juros, impulsionada pela estabilidade fiscal, poderia economizar para uma família cerca de US$ 5.800 anuais em um financiamento imobiliário de US$ 500.000 e US$ 500 em um empréstimo de carro de US$ 50.000. Esses números evidenciam como a política fiscal pode se traduzir em alívio direto no bolso do consumidor.

Os defensores do controle da dívida, conhecidos como "debt hawks", focam não apenas no valor absoluto da dívida, mas na relação dívida/PIB. Este indicador, atualmente em cerca de 123% nos EUA, é visto como um termômetro do risco de crédito do país. O Congressional Budget Office (CBO) estima que a estabilização dessa proporção poderia impulsionar o crescimento da renda real per capita em 10% nas próximas três décadas, em comparação com um cenário de dívida crescente. A CRFB projeta, com base no CBO, que a renda per capita poderia crescer US$ 46.500 em 30 anos com dívida estável, contra US$ 32.350 com dívida em rápida ascensão. Isso se traduziria em uma renda anual média por pessoa de US$ 14.250 a mais, ou quase US$ 36.000 por família.

No entanto, nem todos concordam com a urgência. Alguns argumentam que a relação dívida/PIB dos EUA é mais saudável que a de outras economias desenvolvidas, como o Japão (cerca de 207%). Outros, como o investidor Scott Bessent, acreditam que os EUA podem crescer e superar o desequilíbrio. "Não há nada de mágico no número de US$ 40 trilhões", afirmou Bessent recentemente, defendendo que o crescimento econômico é a via para superar o endividamento. Com os juros da dívida custando aos EUA cerca de US$ 3 bilhões por dia, a busca por crescimento e estabilidade fiscal se torna uma necessidade premente.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Fortune