A startup portuguesa Amble, que conta com o designer Julian Hoenig (conhecido pelo Audi R8 e pelo Apple Watch) e o cofundador da Cowboy, Adrien Roose, entre seus sócios, apresentou seu primeiro veículo: o Amble One. Trata-se de um buggy elétrico, homologado para as ruas na categoria europeia de quadriciclos pesados (L7e), com um preço estimado em £24.000 (cerca de US$ 32.000).

O movimento, reportado pelo Hypebeast, é mais do que o lançamento de outro veículo elétrico. É uma tese sobre design e mobilidade. Ao remover portas, teto e janelas, o Amble One propõe uma ruptura com o paradigma do automóvel como uma cápsula isolada, apostando em uma experiência de condução mais conectada ao ambiente. A estratégia inicial mira o mercado de hospitalidade de luxo, com entregas previstas para 2027, antes de chegar ao consumidor final em 2028.

A filosofia do essencial

A inspiração visual, que remete ao rover lunar da NASA de 1971 e a clássicos como o Land Rover Series I, não é meramente estética. O Amble One abraça uma filosofia de design onde a função dita a forma. A engenharia é deliberadamente exposta, com um chassi de alumínio e parafusos laranja superdimensionados que não só adicionam um toque de cor, mas também comunicam a modularidade do projeto. A escolha de materiais como cortiça para o volante e lona de grau marítimo para os assentos reforça a ideia de um produto feito para durar e envelhecer com caráter, e não para se desgastar.

Este é o design de produto aplicado ao automóvel, uma abordagem esperada de um veterano da Apple e da Audi. Em vez de competir em métricas de performance ou autonomia — seus 100 km de alcance e 64 km/h de velocidade máxima são modestos —, o Amble One compete em propósito. É uma ferramenta afiada para um uso específico: trajetos curtos e prazerosos, o exato oposto dos SUVs superdimensionados que dominam as cidades.

Um nicho de luxo, por enquanto

A estratégia de lançamento é tão calculada quanto o design. Ao estrear em resorts de altíssimo padrão como o Amangiri em Utah, a Amble posiciona o One não como um simples meio de transporte, mas como parte de uma experiência aspiracional. O preço, elevado para um microcarro, torna-se mais palatável quando enquadrado como um "designer toy" ou um veículo de lazer para um público que valoriza a exclusividade e a estética.

O projeto explora um nicho crescente de veículos especializados que desafiam a noção de que um carro precisa servir para todas as ocasiões. Com configurações que variam entre quatro lugares, picape ou baú de carga, sua modularidade aponta para uma plataforma versátil. O fato de a empresa já confirmar o desenvolvimento de um segundo modelo, mais fechado e adequado a climas frios, sinaliza uma ambição que vai além do buggy de verão.

O sucesso do Amble One dependerá de um mercado disposto a pagar um prêmio pela simplicidade e pela filosofia do design. A aposta é que, para uma certa fatia de consumidores, a experiência de uma condução elemental vale mais do que uma lista extensa de equipamentos ou uma cabine climatizada.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Hypebeast