A easyJet, uma das principais companhias aéreas de baixo custo da Europa, anunciou uma parceria com a i6 Group, fornecedora de tecnologia para aviação, para digitalizar seu processo de abastecimento de aeronaves. A iniciativa implementará a plataforma ‘eHandshake’ em toda a rede da empresa, substituindo procedimentos manuais e em papel por um sistema integrado aos dispositivos dos pilotos.
A medida busca ganhos em duas frentes cruciais para o setor: eficiência operacional e sustentabilidade. Ao otimizar a quantidade de combustível por voo, a easyJet projeta uma economia de cerca de 10 mil toneladas de emissões de CO2 por ano. A leitura aqui é que, na aviação, a inovação mais impactante nem sempre é a mais disruptiva, mas a que refina processos críticos com precisão cirúrgica.
A digitalização do tanque
O software ‘eHandshake’ conecta pilotos, fornecedores de combustível e equipes de operação em tempo real. Na prática, isso elimina a margem de erro e o excesso de combustível transportado como "gordura" de segurança — um peso morto que, ironicamente, consome mais querosene para ser carregado. A plataforma permite que os pilotos solicitem e confirmem o abastecimento de forma digital, gerando dados mais precisos.
Além do impacto nas emissões, a digitalização representa o fim de um processo arcaico baseado em papel, com uma economia estimada de 600 mil folhas por ano. É um exemplo clássico de como a tecnologia pode transformar um gargalo operacional em uma fonte de dados e eficiência, com benefícios financeiros e ambientais diretos.
Ganhos incrementais, impacto estratégico
A iniciativa faz parte da estratégia mais ampla de descarbonização da easyJet, que tem a meta de reduzir suas emissões de carbono em 35% até 2035. Embora a adoção de um aplicativo não resolva sozinha o desafio climático da aviação, ela demonstra um caminho pragmático: a busca por ganhos incrementais e mensuráveis que, somados, fazem a diferença.
O sistema centraliza todas as informações de abastecimento, criando um registro único que facilita auditorias, verificação de faturas e análises de desempenho. Em um setor de margens apertadas e alta complexidade, transformar cada etapa da operação em um ativo de dados é um movimento estratégico para otimizar custos e fortalecer a governança.
A implementação será gradual, cobrindo cerca de 90% da rede da companhia nos próximos três anos, sinalizando um compromisso de longo prazo. O movimento da easyJet sugere que o futuro da aviação mais sustentável será construído não apenas com novas tecnologias de propulsão, mas também com uma miríade de otimizações de software que, somadas, geram um impacto significativo na linha de fundo e no planeta.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España





