Em um cenário onde a velocidade da informação muitas vezes dita o ritmo, Edward Berger, o renomado diretor e produtor por trás de sucessos como "Sin novedad en el frente" e "Cónclave", oferece uma perspectiva mais contemplativa sobre o universo do cinema. Durante um encontro com a imprensa no Evolution Mallorca International Film Festival (Emiff), Berger proferiu uma declaração que ressoa com a importância cultural e artística dos eventos cinematográficos: "Os festivales de cine son los museos del cine". Essa analogia não é meramente poética; ela encapsula a essência de como esses festivais funcionam como santuários para a sétima arte, preservando e expondo obras que, de outra forma, poderiam se perder no vasto oceano da produção audiovisual global.
Berger, que será homenageado com o Evolution Vision Award 2026 por sua trajetória e contribuições à cinematografia internacional, vê nos festivais um espaço vital para a descoberta e o intercâmbio cultural. A comparação com museus evoca a ideia de curadoria, de seleção cuidadosa de obras que representam o estado da arte, exploram novas linguagens ou abordam temas de relevância universal. Assim como um museu abriga e exibe tesouros artísticos, os festivais funcionam como vitrines para filmes que, por sua natureza, orçamento ou origem, enfrentam barreiras para alcançar o público em circuito comercial. Berger sublinha que muitas produções, especialmente aquelas de países com menor projeção ou em idiomas menos difundidos, encontram nos festivais a única plataforma para serem vistas e apreciadas.
A ilha de Mallorca, palco deste encontro, guarda um significado especial para o cineasta. Berger compartilhou que, após a intensidade de trabalhos como "Jack", encontrou na Serra de Tramuntana um refúgio para recuperar a calma, descobrindo uma paisagem montanhosa que o encantou e inspirou. Essa conexão pessoal com a ilha, onde já retornou e não descarta voltar para futuros projetos, adiciona uma camada de intimidade à sua presença no festival. Sua reflexão sobre a linguagem cinematográfica, moldada por experiências como a filmagem de "Jack" com um orçamento limitado, onde a "perspectiva é o mais importante", revela um cineasta atento aos detalhes que moldam a experiência do espectador, uma abordagem que ele aplicou em obras posteriores de grande impacto.
Diante de um futuro que anseia por equilibrar espetáculo e profundidade, Berger expressa o desejo de embarcar em projetos de maior escala, capazes de entreter sem sacrificar a inteligência e a mensagem. "Me encantaría hacer una gran película de entretenimiento, inteligente y que tenga algo que decir", confessa. A entrega do Evolution Vision Award, após a exibição de "Fatherland", filme que produziu, reforça o reconhecimento de sua carreira multifacetada. A fala de Berger nos festivais como "museus do cinema" nos convida a refletir sobre o valor intrínseco dessas celebrações, não apenas como eventos de premiação, mas como guardiões da diversidade e da inovação cinematográfica, garantindo que vozes e histórias únicas continuem a encontrar seu público e a enriquecer nossa compreensão do mundo.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España





