“Por que o bom senso não é mais comum no trabalho?”. A pergunta, cada vez mais frequente em corredores e salas de reunião, é o ponto de partida de uma análise publicada pela revista americana Fast Company. A provocação ecoa a frustração de muitos profissionais diante de regras e decisões que parecem desafiar a lógica mais elementar.

A tese central, no entanto, é que o bom senso não desapareceu. Ele foi deliberadamente suplantado por uma trinca de vilões corporativos: o ego, a desconfiança e o medo. São esses fatores que levam líderes a trocar a agilidade e a confiança por burocracias defensivas e microgerenciamento, com um custo direto para a produtividade e a moral da equipe.

Os culpados de sempre

O ego se manifesta quando um gestor, em vez de admitir um erro — como não ter visto um e-mail importante —, prefere criar uma nova regra absurda para se proteger. A desconfiança aparece quando um CEO assiste a um vídeo viral sobre um funcionário remoto ocioso e decide reformular a política de home office para todos, punindo a maioria pelo comportamento hipotético de uma minoria. Este é o clássico “gerenciar pelo menor denominador comum”.

Já o medo é o motor do gerente que transforma um atraso de 30 minutos de um funcionário, justificado por uma consulta médica, em uma crise de precedente. Ele não teme pelo trabalho, mas pela percepção de seu próprio chefe. Em todos os casos, a decisão deixa de ser sobre o que é mais eficiente e passa a ser sobre proteger a imagem, evitar a culpa ou controlar narrativas internas.

O resultado é uma cultura onde o julgamento individual passa a ser visto como um risco, não um ativo. Gestores que são constantemente questionados por seus superiores começam a duvidar da própria capacidade de decisão e replicam o padrão com suas equipes. O ciclo vicioso transforma tarefas simples em processos complexos e funcionários em meros seguidores de um manual de regras. Reintroduzir o bom senso, portanto, é menos sobre criar novas políticas e mais sobre remover as barreiras — de ego, desconfiança e medo — que impedem as pessoas de simplesmente usá-lo.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Fast Company