O fenômeno climático El Niño, com probabilidade de ocorrência muito forte estimada em 98% pela agência climática dos EUA (NOAA), projeta um cenário de encarecimento para as contas básicas do brasileiro. Alimentação e energia elétrica estão entre os itens que devem sentir o impacto, agravando um quadro orçamentário familiar já sob pressão devido ao alto nível de endividamento e inadimplência no país. Gastos imprevistos, decorrentes de estragos causados por chuvas intensas e inundações, podem complicar ainda mais a situação para aqueles sem reservas financeiras adequadas para cobrir tais despesas.
O impacto do El Niño na inflação e nos gastos essenciais
Estudos indicam que o El Niño pode adicionar cerca de 2,4 pontos percentuais à inflação de alimentos no domicílio, elevando o índice já em alta para patamares preocupantes. No curto prazo, o efeito é sentido em produtos frescos como frutas, legumes e verduras, além de bebidas. A médio prazo, o impacto se estende a produtos industrializados e semi-elaborados, como flocos de milho, atomatados e chocolate. A dimensão regional da elevação de preços também é relevante, com Norte, Nordeste e Minas Gerais apresentando os impactos mais significativos e persistentes. Globalmente, o Goldman Sachs aponta que os efeitos inflacionários são complexos, afetando culturas em diversos países, gerando choques de oferta e potencialmente mantendo juros elevados mundialmente.
Energia e produção de alimentos sob pressão
A alteração nos regimes de chuva, característica do El Niño, tem potencial para impactar a conta de energia elétrica, dada a forte dependência do Brasil de hidrelétricas. Regiões com potencial escassez hídrica podem ver a produção comprometida, especialmente usinas que dependem do fluxo de água. Paralelamente, dias mais quentes tendem a aumentar o consumo de eletricidade com o uso de aparelhos de refrigeração. A combinação de menor produção hídrica e maior demanda pode gerar um gargalo no fornecimento de energia. No setor agrícola, o excesso de chuvas pode aumentar a incidência de pragas, elevando o custo de defensivos e interferindo nas janelas de plantio. A queda na produção de milho, por exemplo, afeta diretamente a cadeia de produção animal, aumentando o custo de rações e, consequentemente, os preços de aves e carnes. Projeções indicam quedas na produção de milho e trigo.
Adaptação e planejamento financeiro diante da instabilidade
Diante desse cenário, planejadores financeiros sugerem uma revisão de hábitos de consumo, focando na comparação de preços e na busca por substitutos sazonais e mais acessíveis, sem comprometer a saúde financeira. A atenção ao uso do cartão de crédito é crucial, pois seu uso descontrolado e o parcelamento de faturas com juros elevados podem levar ao endividamento e à inadimplência. Em caso de necessidade, opções como crédito consignado ou empréstimo pessoal, com taxas mais baixas, podem ser alternativas. Além da revisão de gastos, a criação de uma reserva de emergência é fundamental para cobrir despesas inesperadas, como reparos de bens danificados por eventos climáticos. Ativos de liquidez imediata e baixo risco, como Tesouro Selic ou fundos atrelados ao CDI, são recomendados para essa finalidade.
Proteção patrimonial e seguros como precaução
Para mitigar os riscos associados a eventos climáticos extremos, a proteção de ativos físicos com seguros patrimoniais torna-se uma estratégia importante. Avaliar se as apólices de seguro residencial e automotivo cobrem fenômenos naturais, como vendavais e alagamentos, é essencial. Para quem ainda não possui, a contratação pode ser considerada, dependendo do orçamento. Muitas vezes visto como um produto secundário, o seguro pode ser a diferença entre a perda total de bens valiosos ou a sua recuperação após desastres climáticos. A prudência sugere que a cobertura adequada de seguros seja parte integrante da estratégia de defesa financeira.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · InfoMoney




