Em um raro terreno de esquina na ilha de Fenwick, em Delaware, um refúgio de veraneio foi concebido não para resistir ao tempo e ao ambiente, mas para dialogar com eles. O escritório Ziger Snead Architects assina a Dune House, uma residência para uma família com décadas de história no local, projetada para acomodar as novas gerações e aprofundar a conexão com a paisagem.
O projeto, segundo a publicação especializada Dezeen, é um exercício de equilíbrio entre um programa exigente e as severas restrições de um terreno sensível. A tese aqui é que as limitações — zoneamento, altura máxima e, principalmente, o risco de inundações — não foram obstáculos, mas o próprio motor para uma solução arquitetônica que é ao mesmo tempo resiliente e poética.
A estrutura como resposta ao lugar
Diante de um lote estreito e da ameaça de cheias, a estratégia foi verticalizar. A casa de três andares, com formato de barra, respeita o limite de altura de 10,7 metros, mas subverte a lógica tradicional. Os espaços de convivência principais foram elevados, deixando o térreo para áreas funcionais como garagem, academia, depósitos e chuveiros externos. Essa decisão pragmática garante a resiliência da estrutura contra inundações.
O grande gesto arquitetônico, contudo, está nas amplas varandas que se projetam em balanço sobre as dunas em direção ao Atlântico. No último andar, onde se localiza a principal área social, o terraço avança 17 pés (cerca de 5 metros) sobre a paisagem, dissolvendo a fronteira entre o interior e o exterior. As varandas não são meros apêndices; são a essência do projeto, transformando a casa em um grande mirante para o oceano.
Materialidade que conta uma história
O diálogo com o entorno se aprofunda na escolha dos materiais. A fachada é revestida em madeira Accoya não tratada, uma decisão deliberada para que o material envelheça sob a ação do sal e do ar marinho. A casa, assim, não apenas ocupa um lugar, mas permite que o tempo e o clima inscrevam suas marcas em sua materialidade, tornando-se parte da paisagem.
No interior, a paleta de materiais é contida e neutra, com o objetivo de direcionar o foco para as vistas. Detalhes personalizados reforçam a conexão com o lugar: pias e uma mesa de centro foram feitas de concreto misturado com areia da própria praia. A mesa de jantar, por sua vez, foi confeccionada a partir de uma árvore caída em Baltimore, cidade de origem da família, tecendo uma narrativa que conecta a casa às suas raízes.
A Dune House se apresenta como um modelo para uma arquitetura costeira contemporânea, onde a resiliência não se opõe à estética. O projeto demonstra como restrições técnicas podem catalisar um design mais inteligente e integrado, resultando em uma obra que não apenas se adapta, mas pertence genuinamente ao seu ambiente.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Dezeen




