Uma parcela majoritária dos trabalhadores nos Estados Unidos agora apoia a criação de um fundo soberano de inteligência artificial como forma de responsabilizar as corporações pelos impactos da tecnologia. A conclusão é de uma pesquisa recente reportada pela CNBC, que conecta esse sentimento à onda de demissões que atinge o setor de tecnologia.

A ideia, ainda em estágio conceitual, propõe que uma parte dos lucros gerados por empresas que se beneficiam massivamente da IA seja revertida para um fundo de gestão estatal. Esse capital seria usado para mitigar os efeitos econômicos adversos da automação, como o deslocamento de postos de trabalho. O apoio à medida sugere uma crescente preocupação pública com a distribuição dos ganhos de produtividade da IA.

A busca por um dividendo da automação

O conceito de um fundo soberano para IA se assemelha a modelos existentes, como os fundos de recursos naturais que alguns países utilizam para converter receita de commodities em benefícios sociais de longo prazo. No contexto da IA, a proposta é tratada como uma espécie de "dividendo da automação", um mecanismo para redistribuir a riqueza criada por sistemas que podem substituir o trabalho humano em larga escala. A discussão ganha força em um momento em que empresas de tecnologia, mesmo registrando lucros elevados, continuam a anunciar cortes significativos de pessoal, atribuindo parte das reestruturações à busca por maior eficiência impulsionada pela IA.

Segundo a reportagem, o apoio a um fundo dessa natureza reflete uma demanda por um novo tipo de contrato social para a era da inteligência artificial. Em vez de apenas debater os riscos existenciais ou a ética da tecnologia, a conversa se desloca para estruturas econômicas concretas que possam garantir que os benefícios da IA sejam mais amplamente compartilhados, e não apenas concentrados nas empresas que a desenvolvem e implementam. A viabilidade política e econômica de tal fundo, no entanto, permanece um campo aberto e complexo.

Embora a proposta de um fundo soberano de IA enfrente obstáculos significativos para sua implementação, o fato de a ideia ressoar com a maioria dos trabalhadores ouvidos na pesquisa é um sinal importante. Indica que a ansiedade sobre o futuro do trabalho está se convertendo em um chamado por soluções estruturais, movendo o debate público para além da requalificação profissional e em direção a novas formas de governança econômica.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · CNBC Technology